O dia da caça
capítulo 38
SURREAL. SEM PRECEDENTES. INACREDITÁVEL.
Estava escuro quando acordei e todo o m eu corpo doía, especialm ente a área em volta do nariz. A princípio, m inha m ente perm aneceu com pletam ente vazia. Eu não fazia ideia de onde estava – se na África ou em qualquer outro lugar. Pensei apenas: Como vim parar aqui?
E depois: Que lugar é este? Para onde me trouxeram?
Levei a m ão à têm pora e senti um a pontada forte ao tocar um a ferida aberta. De repente, m e lem brei das algem as. Mas elas já não estavam nos meus punhos.
Eu estava deitado de costas, num chão duro, de pedra ou de cim ento.
Alguém estava de pé, olhando para m im . Naquele am biente quase sem luz, não consegui distinguir sua expressão. Só dava para ver que era um hom em negro.
Então percebi que não havia um hom em só, m as vários. Um a dúzia deles, ou m ais, ao m eu redor. E aí entendi! Assim com o eu, eles tam bém eram prisioneiros.
– O branquelo acordou – disse alguém .
Im aginava que m inhas roupas tivessem m e denunciado. Eles tinham deduzido que eu era am ericano. “Branquelo” era um insulto que eu j á ouvira naquela viagem .
– Onde estou? – perguntei, m inha voz soando com o um grasnido. – Água... – pedi.
– Só pela m anhã, am igo – disse o hom em que havia falado antes.
Ele se aj oelhou e m e aj udou a sentar. Minha caixa torácica parecia prestes a explodir e eu estava com um a dor de cabeça m onstruosa, que não iria passar sozinha.
Estávam os em algum tipo de cela som bria e im unda. Mesm o com o nariz quebrado, o cheiro era inacreditavelm ente forte e nauseante; devia vir de um a latrina em algum canto. Respirei pela boca, puxando o m ínim o de ar possível.
A pouca luz que havia ali entrava por um a porta gradeada na parede oposta. O lugar parecia com portar cercar de 12 pessoas, m as havia pelo m enos três vezes isso, todos hom ens.
Muitos dos prisioneiros estavam deitados no chão, com os om bros colados uns nos outros. Alguns poucos relativam ente sortudos roncavam em beliches presos às paredes.
– Que horas são? – perguntei.
– Deve ser m eia-noite. Quem sabe? Que diferença faz para nós? Som os hom ens m ortos m esm o.