O dia da caça
capítulo 56
A TABERNA ERA INAPROPRIADAMENTE CHAMADA DE Modern Serenity, serenidade m oderna. O nom e estava rabiscado em azul num a placa de m adeira velha na entrada, o que m e fez pensar no livro de Alexander McCall Sm ith Agência nº1 de mulheres detetives.
Talvez aquele edifício j á tivesse sido um a igrej a. Agora, era um lugar que servia a todos os propósitos – um salão am plo, suj o, com m esas e cadeiras que com eçaram a ser ocupadas à m edida que o sol baixava.
Alguém ligou um aparelho de som portátil. Um cara apareceu com um barril de cervej a Star Beer, servindo-a em copos de plástico usados e recolhendo dinheiro.
Moisés e seus am igos não quiseram entrar e deixar que eu lhes pagasse um a bebida. Disseram que seriam enxotados se não pudessem pagar suas próprias cervej as. Em vez disso, ele iria ficar com alguns outros hom ens em volta de um a fogueira, cantando e conversando, em algum lugar ali por perto. Em seguida, apontou, indicando a direção em que estaria.
Passei as horas seguintes fazendo perguntas casuais e não chegando a lugar nenhum . Mesm o as poucas pessoas que aceitavam falar com igo sobre o trabalho na m ina se calavam assim que eu perguntava sobre qualquer outra coisa... com o, por exem plo, sobre o com ércio ilegal de diam antes.
Duas vezes, notei hom ens com roupas cam ufladas e sandálias de dedo lam bendo as palm as das m ãos. Os diamantes estão à venda, diziam . Você só precisa engoli-los para sair com eles do país. Am bos pararam e falaram com igo, m as só por tem po suficiente para entenderem que eu não estava vendendo nem com prando nada.
Eu estava com eçando a achar que a noite seria um fiasco quando um adolescente se aproxim ou e se recostou na parede ao m eu lado.
– Ouvi dizer que o senhor está procurando alguém – falou, num tom que só eu pudesse ouvir.
Busta Ry hm es estava cantando alto no rádio.
– E quem você ouviu falar que estou procurando?
– Ele j á foi em bora, senhor. Saiu do país, m as não posso dizer pra onde ele foi. O Tiger.
Olhei para o garoto. Ele devia ter cerca de 1,75m , era m usculoso e tinha um ar arrogante. Tam bém devia ser m ais j ovem do que eu havia im aginado a princípio: uns 16 ou 17 anos. Pouco m ais velho do que Dam on. Com o vários dos adolescentes que eu tinha visto na África, usava um a cam isa da NBA. A dele era dos Houston Rockets, um a equipe de basquete am ericana que j á havia contado com um excelente j ogador nigeriano cham ado Hakeem Olaj uwon.
– E quem é você? – perguntei ao garoto.
– Se quiser saber m ais algum a, são 100 dólares. Estou esperando na rua. É perigoso falar aqui. Muitos olhos e ouvidos. Conversam os lá fora, senhor. Cem dólares.
Ele desgrudou o corpo da parede e andou com um gingado de cafetão em direção à porta da frente, que estava escancarada. Eu o observei virar seu copo de cervej a, largá-lo em cim a de um a m esa e sair da taberna.
Eu não pretendia deixá-lo escapar, m as tam bém não iria lá para fora com o ele havia m andado. Foi seu sotaque que m e disse o que eu precisava saber. Não era de Serra Leoa. Era iorubá. Aquele garoto era nigeriano.
Contei até 30, então saí sorrateiram ente pelos fundos do Modern Serenity.