O dia da caça
capítulo 64
– POR FAVOR, POSSO TE CONTAR o que aconteceu. Tudo. – A voz baixa do m enino atravessava o vidro, abafada. Bree achou que ele não poderia ter m ais de 11 ou 12 anos.
Ou ele estava assustado, ou era um ótim o ator – talvez as duas coisas.
Àquela altura, Sam pson estava atrás dela. Nenhum dos dois sacou um a arm a; m esm o que não confiassem nem um pouco no m enino.
Bree tinha um a das m ãos em sua pistola.
– Diga-m e o que sabe – falou.
Ela e Sam pson se aproxim aram da j anela por ângulos diferentes. Bree foi prim eiro. Ela teve que abaixar a cabeça para entrar no vão da água-furtada.
Dali, conseguiu ver que o m enino estava com os pés apoiados num a saliência decorativa da alvenaria.
Cerca de 3 m etros abaixo havia o telhado da varanda dos fundos e um pequeno j ardim , m orto por causa da estação.
– Não chegue m ais perto – alertou o m enino – ou eu vou em bora. Posso correr m uito rápido. Você nunca vai m e pegar.
– Tudo bem , m as m e deixe pelo m enos tirar isso da frente – pediu ela.
O velho caixilho da j anela precisou de um pouco de persuasão, m as finalm ente Bree conseguiu forçá-lo a se abrir uns 15 centím etros.
– O que você está fazendo aí fora? – perguntou.
– Sei com o aconteceu. Eles m ataram a m enina e o m enino neste quarto m esm o. Os outros, lá em baixo, no salão.
O sotaque dele era africano. Da Nigéria, supôs Bree.
– Com o você sabe tanto? – questionou. – Por que eu deveria acreditar em você?
– Eu sou o vigia, m as em breve eles vão m e obrigar a m atar as pessoas. – Ele olhou para além de Bree e Sam pson em direção à cena dentro do quarto. – Não quero fazer isso. Por favor, eu sou católico.
– Está bem – disse-lhe Bree. – Você não precisa m achucar ninguém . Tam bém sou católica. Por que você não desce daí pra gente...
– Não! – Ele tirou um a das m ãos da grade, am eaçando pular. – Não tente m e enganar!
– O.k. – Bree ergueu as m ãos, com as palm as voltadas para fora. Então se aj oelhou para chegar um pouco m ais perto. – Vam os só conversar. Conte m ais. Qual o seu nom e?
– Benj am in.
– Benj am in, você sabe algum a coisa sobre um hom em cham ado Tiger? Ele estava aqui?
Alex havia lhe contado sobre Tiger quando falaram ao telefone. Supostam ente, ele estava na África, m as talvez a inform ação de Alex estivesse errada.
O m enino assentiu devagar.
– Sei, sim . – Então acrescentou: – Só que tem m ais de um . Não é só um Tiger.
Isso certam ente chocou Bree. E ela im aginava que tam bém fosse surpreender Alex.
– Muitos hom ens são cham ados de Tiger? – perguntou ela. – Tem certeza disso?
O m enino tornou a assentir.
– Aqui em Washington?
– Sim . Acho que dois ou três.
– E na Nigéria?
– Tam bém .
– Quantos Tigers, Benj am in? Você sabe?
– Eles não m e dizem , m as são m uitos. Todos os chefes de gangue se cham am Tiger.
Bree olhou por sobre o om bro para Sam pson, então voltou a encarar o m enino.
– Benj am in, quer ouvir um segredo?
A pergunta pareceu deixá-lo confuso. Ele olhou de um lado para outro; então tornou a olhar para baixo, conferindo sua rota de fuga.
E, quando ele fez isso, Bree se m oveu. Rápido! Muito m ais rápido do que Benj am in achava que ela fosse capaz.