O dia da caça
capítulo 104
ALCANCEI ADANNE A POUCOS PASSOS do portão da casa. Eu a agarrei e a levantei do chão. Suas pernas se debateram no ar e ela lutou contra m im , estendendo as m ãos para o portão enquanto eu a afastava de lá.
– Adanne, você não quer entrar para ver. Confie em m im , por favor.
A casa ainda estava em cham as, m as era praticam ente um esqueleto escuro e assustador. De onde estávam os, Adanne e eu conseguíam os enxergar através dela, até os fundos da propriedade. O telhado j á havia sido totalm ente consum ido pelo fogo.
A entrada para carros e o gram ado estavam cheios de escom bros fum egantes. Era óbvio que um a explosão havia ocorrido ali. Parecia ter sido causada por bom bas incendiárias.
Quando vi dois m ontinhos cobertos no gram ado, abracei Adanne com m ais força e apertei sua cabeça contra m eu peito. Os corpos só podiam ser dos gêm eos, dos pobres Jam es e Calvin. Adanne sabia disso e chorava baixinho nos m eus braços.
Um policial passou correndo e consegui cham ar sua atenção.
– Quantas pessoas havia lá dentro?
Ele m e olhou dos pés à cabeça antes de responder.
– Quem é você? É da fam ília? Por que quer saber?
– Esta é a casa dos pais dela. Sou um am igo. Ela é Adanne Tansi.
– Três adultos, duas crianças – disse ele. Olhou para Adanne, depois para m im , e balançou a cabeça negativam ente. Nenhum sobrevivente.
Adanne estrem eceu e com eçou a soluçar. Estava dizendo algo, talvez fosse um a oração. Eu não conseguia entender suas palavras nem o idiom a em que falava.
– Preciso conversar com o seu com andante – disse para o policial parado ali conosco.
– Sobre o quê?
– CIA – falei em seguida.
O hom em tornou a abrir a boca, m as eu o cortei.
– Apenas cham e o com andante. Traga-o aqui im ediatam ente.
Enquanto ele se afastava, falei com brandura contra a testa de Adanne:
– Estou aqui. Você não está sozinha.
Ela continuou a soluçar nos m eus braços, trem endo com o se estivesse m orrendo de frio naquele calor de 32 graus.
Fiquei observando o com andante se aproxim ar, um hom em alto, de costas largas, num terno escuro. Eu não conseguia ouvir nada em m eio ao barulho da equipe de bom beiros e ao chiado dos j atos d’água, m as não havia necessidade.
Eu conhecia seu rosto: o nariz achatado, as bochechas redondas e os olhos apertados no estilo Mike Ty son, que o deixavam com cara de idiota. A últim a vez que o tinha visto, ele estava m e segurando de cabeça para baixo por um a j anela de hotel.