O dia da caça
capítulo 153
MAISE ME LEVOU PARA CASA. As luzes estavam apagadas e obviam ente não havia ninguém lá. Bree ficava com a gente de vez em quando, m as tinha seu próprio apartam ento, então calculei que estivesse por lá naquela noite. Por que ficaria sozinha ali?
Eu iria ligar para Bree em breve, m as antes precisava entrar em casa. Entrei pela varanda, passando pelo piano silencioso no cam inho, im aginando-m e a tocá-lo para as crianças, ou às vezes para m im m esm o.
Não, acho que na verdade estava lembrando.
A cozinha tinha sido arrum ada depois da últim a vez que eu estivera ali. Bree provavelm ente tinha feito isso.
Agora estava im pecável, como se ninguém morasse ali.
Continuei andando de côm odo em côm odo, todos silenciosos, e senti um a tristeza insuportável. Fui acendendo as luzes no cam inho, sentindo-m e um a visita em m inha própria casa. Nada na m inha vida parecia certo ou ao m enos real. O m undo tinha de fato se tornado um lugar m uito cruel e inseguro. Com o isso havia acontecido?
Qual era a parcela de culpa dos Estados Unidos? E será que o fato de aceitar essa culpa realm ente aj udava alguém ? Já não estava na hora de parar de fazer críticas e com eçar a apresentar soluções? Ser crítico é fácil, pois não requer im aginação nenhum a. Resolver os problem as é a grande questão.
Finalm ente cheguei ao m eu escritório no sótão e m e sentei à m esa, olhando para a rua m ais abaixo, perguntando-m e se havia alguém lá fora m e observando.
Será que os hom ens que haviam m e interrogado acreditaram em m im ? Isso tinha algum a im portância? Foi então que m e dei conta de que não sabia tanto assim sobre o m undo, não num contexto m ais am plo, pelo m enos. Mas quem sabia hoj e em dia?
Ninguém , talvez. Era isso que o tornava tão assustador – e que tam bém acabava com qualquer esperança. Era isso que nos dava a sensação de que tudo estava fora de controle. Então quem estava no controle? Alguém precisava estar... m as quem ? Alguém precisava ter algum as respostas. Alguém tinha acabado de m e aprisionar e torturar.
Continuei a vagar pela casa. Precisava telefonar para as pessoas – para Dam on, que eu esperava ainda estar escondido em algum lugar seguro, para Bree e Sam pson. Mas ainda não podia fazer essas ligações. Não sabia o que dizer a eles ou com o encará-los.
Não, não era bem isso. A verdade era que eu não queria colocá-los em perigo. Alguém lá fora ainda podia achar que eu sabia de algum a coisa, algo perigoso e im portante, ou talvez som ente constrangedor para eles.
E sabe o que era m ais assustador?
Eles tinham razão.