O dia da caça

James Patterson · Capítulo 25 de 165

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O dia da caça

capítulo 23

 

POR VOLTA DAS DUAS DA m anhã, eu ainda estava na cena do crim e, conduzindo entrevistas que j á com eçavam a se em baralhar na m inha cabeça, quando o celular tocou. Im aginei que fosse a em baixada nigeriana, então o peguei do bolso da calça e atendi na hora.

– Alex Cross, Polícia Metropolitana.

– Pai?

Fiquei um pouco chocado ao ouvir a voz de Dam on. Às duas da manhã, quem não ficaria? O que tinha acontecido dessa vez?

– Day, o que houve? – perguntei a m eu filho de 14 anos, que estudava em Massachusetts.

– Hã... na verdade, não é nada – respondeu ele. Parecia que m eu tom o havia pegado desprevenido. – Quer dizer... tentei ligar para você o dia inteiro. Tenho boas notícias.

Senti alívio, m as m eu pulso ainda estava acelerado.

– Que bom ! Estou m esm o precisando de boas notícias. Mas o que você está fazendo acordado até tão tarde?

– Tive que ficar acordado. Para conseguir falar com você. Liguei para casa, falei com Nana. Não queria ligar para o seu celular.

Respirei devagar e fui até o corredor ao lado dos banheiros, distanciando-m e dos peritos. Era sem pre bom ouvir a voz de Dam on, não im portava que horas fossem . Eu sentia falta das nossas conversas, das aulas de boxe que eu dava a ele, de vê-lo j ogar basquete.

– Mas m e diga, qual é a notícia?

– Nana j á sabe, m as queria contar a você pessoalm ente. Entrei para o tim e da escola. Com o calouro. Não é ótim o? Ah, e tirei A nas provas de m eio de curso.

– Ouça só você: “Ah, e tirei A nas provas.” Bela dobradinha, Dam on. Parece que você está se saindo m uito bem por aí – falei e, de repente, percebi que estava sorrindo.

Era estranho ter aquela conversa debaixo de luzes de neon em um corredor que cheirava a álcool e m orte, m as não deixava de ser um a ótim a notícia. Conciliar a vida de atleta e a de estudante vinha sendo puxado para Dam on. Eu sabia com o ele estava se esforçando para fazer bem as duas coisas.

– Detetive? – Um policial uniform izado apareceu no corredor. – Ligação da Central de Em ergências para o senhor.

– Dam on, posso ligar para você depois? Quando am anhecer, talvez?

Ele riu.

– Claro, pai. É um caso bem sério, né? Aí na boate. Vi a notícia na internet.

– Sim , é bem sério – adm iti. – Mas ainda assim é m uito bom ouvir sua voz. A qualquer hora. Vá dorm ir um pouco.

– Sim , pode deixar. Durm a um pouco você tam bém .

Desliguei, sentindo-m e culpado. Se m eu trabalho significava isso – só conseguir falar com m eu filho às duas da m anhã –, então era m elhor que eu o fizesse valer a pena. Atendi a ligação e ouvi a m esm a m ulher da em baixada nigeriana. Dessa vez, no entanto, sua voz estava em bargada de em oção.

– Detetive, lam ento dizer isso, m as o em baixador e a Sra. Nj oku foram assassinados hoj e à noite. Estam os m uito chocados.

Não fiquei chocado, fiquei enoj ado.

– Quando isso aconteceu? – perguntei.

– Não sabem os ao certo. Acredito que há poucas horas.

E com poucos m inutos de diferença em relação ao assassinato do filho? Teria sido esse o plano desde o início? O plano de quem ? Com que obj etivo? O que estava acontecendo?

Deslizei pela parede até o chão. Outra fam ília m orta. E, dessa vez, o crim e tinha acontecido em dois continentes... dois m undos totalm ente diferentes. Ou pelo m enos era o que eu pensava.