O dia da caça
capítulo 8
TELEFONEI PARA PEDIR AJUDA A m eu am igo Avie Glazer, chefe do Proj eto de Com bate às Gangues no Terceiro Distrito. Contei a ele por que aquilo era im portante para m im .
– Claro que aj udo. Você m e conhece, Alex. Estou m ais infiltrado nas gangues do noroeste, com o La Mara R e Vatos Locos. Mas você pode vir aqui e fazer um as perguntas pela Rua 17 com a R, se quiser. Ver se alguém sabe de algum a coisa.
– Você tem com o nos acom panhar? – perguntei. – Fico lhe devendo um a. E pago um a cervej a.
– Com essa, são quantas no total? Contando favores e cervej as?
Esse era seu j eito de dizer sim . Bree e eu encontram os Avie num a sinuca cham ada 44, um a espelunca. O proprietário nos contou que essa era a idade dele quando abriu o estabelecim ento. Avie j á conhecia a história, m as ainda assim ouviu educadam ente.
– Parecia um nom e tão bom quanto qualquer outro – declarou o dono.
Sua atitude blasé m e pareceu a de um m aconheiro. Com certeza não estava ganhando sua grana com m esas de sinuca e refrigerantes. Cham ava-se Jaim e Ram irez e Avie Glazer m e aconselhara a lhe dedicar atenção e um pouco de respeito.
– Você sabe algum a coisa sobre os assassinatos em Georgetown na noite passada? – perguntei a Ram irez depois de bater papo por um tem po. – Foram com etidos em grupo?
– Aquilo foi horrível – disse ele, debruçando-se sobre a parte de baixo de um a porta holandesa, segurando entre os dedos gordos um cigarro m arrom inclinado no m esm o ângulo que seu corpo.
Ele apontou com o queixo para um a televisão no canto.
– O canal 4 é o único que tenho aqui, detetive.
– Algum a novidade na área? – perguntou Bree. – Pessoas de quem ainda não ouvim os falar? Alguém capaz de m atar um a fam ília inteira?
– É difícil acom panhar – falou Ram irez, dando de om bros. Foi então que Glazer olhou para ele de cara feia. – Mas, sim , agora que você falou... têm rolado uns boatos.
Seus olhos escuros correram de form a quase involuntária por m im e por Bree.
– Africanos – disse ele para Avie.
– Afro-am ericanos? – perguntei. – Ou...
– Africanos africanos. – Ele se voltou outra vez para Avie. – Ei, Toto, vou ganhar algum a coisa por isso? Ou essa é brinde?
Avie Glazer olhou prim eiro para m im e depois para Ram irez.
– Digam os que eu fico lhe devendo um a.
– Que tipo de africanos? – perguntei.
Ele deu de om bros e bufou.
– Com o é que vou saber? Do tipo que é negro e vem da África.
– Falam inglês?
– Falam – disse ele, assentindo. – Mas nunca conversei com eles. Parece que fazem de tudo um pouco. Sabe com o é, serviço com pleto: assassinato, prostituição, tráfico de drogas, roubos... Não estam os lidando com um bando de pichadores.
Ele abriu um a geladeira com porta de vidro e pegou um a lata de Coca-Cola.
– Estão com sede? Dois dólares.
– Eu quero um a – disse Glazer, colocando na m ão de Ram irez um par de notas que não pareciam ser de 1 dólar. Em seguida, se virou para m im :
– E vou cobrar de você tam bém . Pode apostar.
– Africanos – repetiu Ram irez enquanto nos encam inhávam os para a porta – da África.