O dia da caça
capítulo 108
POLICIAIS COM UNIFORMES AZUIS APARECERAM correndo dos dois lados do nosso carro. Quando abriram as portas e nos agarraram , Adanne não ofereceu resistência. Eu lhes dei m uito m ais trabalho.
Quando enfim fui arrancado do banco da frente, saí girando o braço direito e acertei um soco no queixo de alguém . A sensação foi ótim a.
Então dois deles m e atiraram com força no chão, o que j á não foi tão bom .
Meu om bro estalou. Por reflexo, j oguei o braço para cim a e um a onda de dor m e invadiu enquanto eu sentia a articulação se encaixar de volta no lugar. Mas eu não sabia se conseguiria m over m eu braço novam ente. Com o iria lutar contra eles agora?
Os gritos dos policiais vinham de todos os lados, pelo m enos quatro deles berrando num a confusão de idiom as que eu não conseguia entender.
Um deles sacou o revólver e deu um tiro para o alto, para se fazer entender com toda a clareza.
Adanne tam bém estava gritando.
– Eu sou do Guardian! Sou repórter! Im prensa!
Por debaixo do carro, eu conseguia vê-la deitada do outro lado, com o rosto no chão. Pares de sapatos pretos andavam de um lado para outro ao seu redor. Então um a pistola foi apontada para a sua cabeça.
No entanto, isso não a im pediu de continuar gritando.
– Adanne Tansi! Sou do Guardian!
Ela repetia essas palavras sem parar, não só para eles, m as para qualquer pessoa que pudesse ouvi-la. Já havíam os parado o tráfego dos dois lados da rua.
Com algum a sorte, Adanne tinha acabado de passar de suspeita anônim a para figura conhecida. Foi um a boa j ogada, especialm ente levando-se em conta seu estado m ental depois do que acontecera na casa de seus pais.
Vi dois dos policiais parados ao m eu lado se entreolharem . Um deles se abaixou para puxar m inhas m ãos para trás e m e algem ar. Quando fez isso, tive a sensação de que m eu om bro estava sendo partido em dois.
Então fui esm urrado e chutado na base das costas. Tudo estava ficando nebuloso e surreal m uito depressa. Eu não podia m e dar ao luxo de desm aiar.
– Alex! – Ouvi a voz de Adanne cham ar outra vez. – Alex! Estou aqui! Alex!
Virei a cabeça para procurá-la. A sola de um sapato desceu sobre m inha bochecha e m inha têm pora, m as consegui ver Adanne assim m esm o. Estava sendo levada em bora pela polícia. Eles passaram por um a viatura com um e foram até um sedã preto sem identificação.
Para onde estavam indo?
– Ela é do Guardian! – gritei. – Ela é do Guardian! É da im prensa!
Adanne chutava o ar e se contorcia, enquanto eu tentava m e livrar dos dois policiais que m e seguravam por trás.
Porém , era tarde dem ais e não havia m uita coisa que pudéssem os fazer. Adanne ainda estava gritando quando eles a enfiaram no sedã preto, fecharam a porta com força e saíram às pressas.