O dia da caça
capítulo 76
MOHAMMED SHOL, UM EMPRESÁRIO QUE tinha alguns contatos, estava parado no vão das portas duplas de sua m ansão, parecendo um grande retrato em oldurado. A construção principal tinha cerca de 2 m il m etros quadrados e a casa de hóspedes, 750. Ele era um dos hom ens m ais ricos de Darfur do Sul e nunca perdia um a oportunidade de ostentar isso.
O com plexo, com seus portões e m uros altos e sua estufa para frutas cítricas, falava por si só: Quem a não ser o diabo viveria como um rei no meio do inferno?
Não que Tiger tivesse problem as em lidar com diabos. Ele fazia isso o tem po todo. Esse era o seu negócio e, se ele tivesse um cartão de visita, o logotipo bem que poderia ser um diabo negro.
Shol abriu um largo sorriso enquanto segurava os cotovelos do assassino alto e bem bonito, para cum prim entá-lo.
– Bem -vindo, m eu am igo! Sua equipe vai esperar aqui fora, naturalm ente.
– Naturalm ente.
– Eles serão alim entados.
– Estão sem pre com fom e.
Tiger deixou Rocket encarregado dos dem ais, pois sabia que ele m anteria a disciplina. Os m eninos ficaram esperando em frente ao portão. Do outro lado do j ardim , os seguranças de Shol, à paisana, os observavam achando graça. Eles tam bém tinham saído das ruas.
Eles que se sintam convencidos e cheios de si, pensou Tiger ao encarar os seguranças. Ser subestim ado sem pre lhe rendera bons frutos.
Ele seguiu Moham m ed Shol pelo luxuoso hall de entrada e ao longo de um pátio interno. Arom as de com ida – cardam om o e carne de boi – vinham de um dos lados da casa. Vozes de m eninos vinham do outro – recitando palavras em árabe, o que deixava bem claro o posicionam ento político de Shol.
Eles chegaram a um a porta de vidro do outro lado do pátio.
Atrás dela, havia um a estufa com um pom ar de frutas exóticas. Shol parou de andar.
– Vam os conversar aqui dentro. Gostaria de um pouco de chá? Ou talvez de um suco de toranj a? – Este últim o era um a ostentação, j á que essa fruta era um a iguaria ali.
– Não, obrigado – respondeu Tiger. – Quero apenas o que vim buscar. Depois vou em bora.
Shol girou a m ão rapidam ente para dispensar o criado. Em seguida pegou um a chave no bolso de seu jalabiya e a usou para abrir a porta.
A tem peratura dentro da estufa era agradável, um a onda de um idade pairava no ar. A som bra de um baixo dossel de plantas cobria o piso de azulej os. Mais acim a, o teto era com posto por form as geom étricas de vidro e aço.
Com um gesto, Shol convidou Tiger a entrar num a pequena sala de j antar nos fundos.
Havia quatro cadeiras de vim e em volta de um a m esa de cipreste com acabam ento prim oroso. Shol arrastou um vaso de planta para o lado. Em seguida digitou a com binação em um cofre escondido atrás dele.
Lá dentro havia um envelope de papel estufado. Shol o pegou, colocando-o na m esa entre ele e Tiger.
– Está tudo aí.
Assim que term inou de conferir o conteúdo, Tiger largou o pacote no chão e se recostou na cadeira.
Shol sorriu.
– O senhor fez bastante coisa aqui – disse Tiger, gesticulando ao seu redor. – É im pressionante.
Shol tornou a sorrir, envaidecido pelo elogio.
– Fui abençoado diversas vezes.
– Não só abençoado. O senhor tem trabalhado bastante. E tam bém é inteligente, pelo que vej o.
– É verdade. Com o cargo legislativo e os m eus negócios, não m e resta m uito tem po para nada.
– Viagens – disse Tiger. – Reuniões dia e noite. E sua fam ília, é claro.
O em presário assentiu, claram ente gostando de falar sobre si m esm o.
– Sim , sim . Quase todos os dias.
– Falando coisas que não devia. Colocando seus entes queridos em perigo.
Shol parou de assentir e pareceu se esquecer de que tinha m edo de fitar os olhos de Tiger, pois foi exatam ente isso que fez.
– Não. Nunca falei sobre m eus negócios com você nem com ninguém .
– Sim – disse Tiger, sem se m exer. – Na verdade, o senhor falou. Conhece uma repórter... um a m ulher? Adanne Tansi?
Tiger ergueu um dedo e puxou seu colarinho, abrindo-o alguns centím etros. Então falou num m icrofone:
– Botem pra quebrar! Agora, Rocket. Não poupe ninguém . Faça deles um exemplo.