O dia da caça
capítulo 151
VOCÊ ACHA QUE SABE o que vai acontecer na sua vida, m as nunca sabe de verdade. E, geralm ente, as surpresas não são boas.
Ninguém falou com igo por um bom tem po. Eu continuava esperando que alguém colocasse um a arm a contra a m inha cabeça, que finalm ente apertasse o gatilho.
Horas depois de ter sido interrogado, ouvi passos no recinto em que estava preso. Mais de um a pessoa. Pelo m enos duas.
Eu m e afastei da parede e andei para a frente. Tropecei e caí de j oelhos. Forcei-m e a levantar e alguém agarrou m eu braço.
– O puto nem consegue andar sozinho.
Ouvi o barulho de um a porta se abrindo e então senti um a lufada de ar fresco contra o rosto. Fui puxado para a frente e então em purrado para dentro de algum tipo de van ou cam inhonete.
– Vam os logo! – disse alguém na frente do veículo. – Não tem os m uito tem po.
Para quê?
O que estava acontecendo agora?
Eu não fazia ideia de aonde estava indo, m as sabia que tinha grande chance de estar prestes a m orrer. Em alguns m om entos no passado, eu havia ficado agradavelm ente surpreso pelo fato de ter durado tanto. Ainda assim , m e parecia incrível que eu provavelm ente fosse m orrer dentro de alguns m inutos. Rezei pela m inha fam ília e depois fiz um a oração por m im m esm o.
Com o bom cristão que era, em bora um tanto relapso, fiz inclusive um a prece de contrição.
Então a van parou. Era chegada a hora.
– Ponto final! – disse um dos desgraçados.
Fui em purrado para fora e caí na rua; depois ouvi o veículo se afastar, os pneus esm agando o cascalho.
Eu m e arrastei até o m eio-fio, subi nele e então sim plesm ente m e deitei, m etade do m eu corpo em um gram ado e a outra m etade num a calçada ou num passeio.
Eles não tinham m e m atado.
Ainda estava vivo.
Finalm ente, dorm i.