O dia da caça
capítulo 119
OS DOIS FUZILEIROS NAVAIS FORAM bastante educados e respeitosos, m as tam bém m uito diligentes, ao m e escoltarem até o vestiário do segundo subsolo.
O local tinha arm ários de m adeira altos e um carpete desbotado, um a sauna azulej ada com banheira de hidrom assagem e um a pequena área de duchas. Conform e prom etido, recebi um a toalha lim pa.
Um dos fuzileiros perguntou o tam anho das m inhas roupas e dos sapatos e depois saiu. O outro m e disse que eu tinha cerca de 10 m inutos para tom ar banho e m e vestir, portanto era m elhor com eçar logo. Os dois eram negros, o que provavelm ente não era nenhum a coincidência.
Havia quatro boxes e, em frente a cada um deles, um cubículo acortinado para trocar de roupa. Fiquei parado dentro do últim o boxe, com a cabeça a m il, enquanto m eu tem po no país se esgotava.
O que eu podia fazer? Não havia j anelas no vestiário e som ente um a saída. Abri o chuveiro, só para fingir que estava fazendo algum a coisa.
Entrei debaixo d’água e a deixei cair sobre m inha cabeça.
De repente, m eu corpo inteiro estava trem endo. Eu m e lem brava de Adanne, m as aquilo precisava parar, pelo m enos por enquanto.
Um m inuto depois, ouvi alguém se m over do lado de fora. Um a cortina se abriu e se fechou. Um dos outros chuveiros foi aberto.
Alguém cantarolava um a balada de Jam es Blunt que não parava de tocar nas rádios.
Tirei os restos da m inha cam isa. Tornei a enfiar a cabeça debaixo do chuveiro e então saí novam ente, respingando água no chão.
– Ei, pode m e arranj ar outra toalha? – perguntei ao guarda.
Eu tinha notado que havia um a pilha delas à entrada.
– Por que o senhor precisa de duas? – perguntou ele, enfiando a cabeça dentro do boxe.
– Você está brincando? Viu com o eu estava. E sentiu m eu cheiro.
Ele balançou a cabeça, m as foi pegar a segunda toalha.
– Obrigado – falei.
Passei im ediatam ente para o outro cubículo, segurando as argolas da cortina para que não fizessem barulho.
Quem quer que estivesse tom ando banho ao m eu lado tinha pendurado suas roupas em um gancho ali dentro.
Vasculhei os bolsos da calça e encontrei exatam ente o que estava buscando: um celular.
Segundos depois, eu estava de volta ao m eu próprio boxe e logo em seguida o fuzileiro pendurou um a toalha branca por sobre a barra da cortina.
– É m elhor se apressar – disse ele do lado de fora.
Girei com pletam ente a torneira, a água fazendo o m áxim o de barulho possível.
Então disquei o núm ero de Flaherty.
Ele m esm o atendeu.