O dia da caça

James Patterson · Capítulo 42 de 165

Páginas do PDF

O dia da caça

capítulo 40

 

EU GOSTARIA DE PODER DIZER que m al consigo m e lem brar da m inha prim eira noite na prisão em Kirikiri.

Mas é j ustam ente o contrário. Nunca vou m e esquecer dela, nem de um segundo sequer.

A sede era o pior, pelo m enos naquela prim eira noite. Minha garganta parecia prestes a se fechar. A desidratação m e devorava por dentro. Enquanto isso, m osquitos gigantes e ratos tentavam fazer o m esm o do lado de fora.

Minha cabeça e m eu tórax latej aram a noite inteira e um a sensação de desam paro am eaçava tom ar conta de m im se eu baixasse a guarda por um m inuto que fosse, ou se, Deus m e livre, dorm isse por m eia hora.

Eu tinha lido artigos suficientes da organização de defesa dos direitos hum anos Hum an Rights Watch para ter noção das condições naquele tipo de prisão – m as a diferença entre a teoria e a prática era enorm e. Aquela deve ter sido a pior noite da m inha vida – e eu j á tinha passado por algum as bem ruins, na com panhia de Ky le Craig, Gary Sonej i e Casanova.

Quando finalm ente am anheceu, fiquei observando a única j anela gradeada da cela com o se fosse um aparelho de TV. Ver o céu m udar lentam ente de preto para cinza e daí para azul era o m ais perto que eu poderia chegar de m e sentir otim ista.

No exato m om ento em que os prisioneiros à m inha volta com eçaram a se m ovim entar, a porta da cela se abriu de novo.

Um guarda m agro apareceu à entrada. Ele m e fez pensar em um gafanhoto m uito alto.

– Cross! Alexander! – gritou a plenos pulm ões. – Cross! Venha aqui! Agora!

Foi um a luta aparentar o m ínim o de condições físicas enquanto eu m e levantava devagar. Concentrei-m e na dor dos pelos do m eu peito sendo arrancados enquanto se fundiam com o sangue seco na m inha cam isa. Era apenas instinto, m as fez com que eu conseguisse m e sustentar em m inhas pernas bam bas e atravessar a cela.

Então segui o guarda até o corredor. Ele dobrou à direita e, quando vi que não havia saída por ali, abandonei qualquer esperança de ser libertado daquela prisão.

Talvez isso nunca fosse acontecer.

– Sou um policial am ericano – falei, recom eçando m inha história. – Estou aqui para investigar um assassinato.

E foi então que a ficha caiu: Será que era por isso que eu estava preso?