O dia da caça

James Patterson · Capítulo 124 de 165

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O dia da caça

capítulo 122

 

AS ESTRADAS PARA O AEROPORTO Murtala estavam ainda m ais cheias e tum ultuadas do que da últim a vez que eu estivera ali – se é que isso era possível. Estacionam os na m esm a base aérea que Adanne e eu tínham os usado para ir ao Sudão. De lá, precisam os tom ar um a condução.

O ônibus estava apinhado de fam ílias am ericanas a cam inho de casa, ou pelo m enos saindo da Nigéria. Todos falavam sem parar sobre o dram a dos reféns no Delta. Ninguém havia sido libertado até então e todos tem iam que eles fossem m ortos em breve.

Porém o que m ais m e surpreendeu foi a pouca atenção que aquelas pessoas deram a dois hom ens algem ados um ao outro. Im agino que tivessem coisas m ais im portantes em que pensar para se preocuparem com igo e com m eu guarda fuzileiro.

O term inal de em barque estava tão lotado, barulhento e caótico quanto o local de um bom bardeio. Abrim os cam inho até um posto de segurança para providenciar que eu fosse levado ao avião. Pelo j eito, as algem as não seriam retiradas antes de eu estar bem afivelado num assento, a cam inho de casa.

A área de espera estava cheia, com o o restante do lugar, todos os olhos voltados para um só aparelho de TV, ligado num canal africano.

A repórter tinha sotaque iorubá, com o o de Adanne. Pode parecer estranho, m as essa foi a gota d’água para m im . Lágrim as escorreram pelo m eu rosto e com ecei a trem er com o se estivesse com febre.

– O senhor está bem ? – perguntou o fuzileiro.

Ele parecia um bom hom em . Estava só fazendo seu trabalho. E m uito bem , por sinal.

– Estou – respondi. – Estou bem .

No entanto, eu não era a única pessoa que chorava ali. Motivo era o que não faltava. Tropas nigerianas tinham invadido o condom ínio da ilha de Bonny, para o que deveria ser um a “m issão de resgate”. Em vez disso, agora todos os 34 reféns estavam m ortos. Com bates abertos irrom peram em toda a região do Delta. Havia notícias de distúrbios em pelo m enos dois outros estados do Sul.

As im agens dos reféns m assacrados eram chocantes até m esm o para os padrões dos noticiários am ericanos. As vítim as estavam largadas no chão do corredor, tanto os adultos quanto as crianças. Os corpos estavam caídos uns sobre os outros, com roupas m anchadas de sangue e ainda encapuzados.

Um a m ulher perto de m im soltou um grito lancinante. Sua fam ília ainda estava no Delta. Todos os dem ais m antinham os olhos fixos na tela, em silêncio.

– Os governos dos estados de Rivers, Delta e Bay elsa j á em itiram alertas – prosseguiu a repórter. – Recom enda-se que, nas próxim as 24 horas, os cidadãos só saiam de casa se for extrem am ente necessário. Foi decretado toque de recolher total. Qualquer pessoa que o viole será presa ou possivelm ente alvej ada.

Owens, o fuzileiro algem ado a m im , falou:

– O em barque do seu voo j á com eçou. Vam os, detetive Cross. Quem m e dera poder ir com o senhor. Tam bém sou de Washington. Queria voltar para casa. Sinto falta de lá. O senhor não faz ideia.

Peguei um núm ero de telefone com Owens e prom eti ligar para sua m ãe quando chegasse.

Poucos m inutos depois, estávam os todos sendo levados para fora dali, rum o ao avião. Ouvi alguém cham ar m eu nom e e olhei para um dos lados, em direção ao edifício do term inal.

O que vi então fez meu sangue congelar e mudou tudo.

Padre Bom bata estava olhando diretam ente para m im . Ele ergueu sua m ão pequena e acenou.

Parado ao seu lado, agigantando-se sobre o padre – se é que ele era m esm o padre –, estava Tiger. Abi Sowande. O m onstro correu o indicador sobre a própria garganta.

O que significava aquele gesto? Que aquilo ainda não havia terminado?

Disso eu j á sabia!

Ainda faltava m uito para acabar. Eu nunca tinha desistido de um caso na vida.

Mas talvez Tiger tam bém j á soubesse disso.