O dia da caça
capítulo 95
CONHECI A MÃE DELA, SOMADINA, o pai, Uchenna, a cunhada, Nkiru, e os sobrinhos, Jam es e Calvin. Eles não poderiam ser m ais calorosos e encantadores. Parecia-lhes perfeitam ente natural que um com pleto estranho passasse um tem po indeterm inado em sua casa.
O lugar era m odesto, com apenas um andar, m as tinha várias j anelas e um a vista interessante. Do hall de entrada, vi um quintal m urado nos fundos, com tam arindeiros e canteiros de flores. Mesm o ali dentro, eu conseguia sentir o cheiro de hibiscos.
Adanne m e m ostrou o escritório de seu pai. As paredes ali, assim com o as da sala de Adanne no Guardian, estavam cobertas de artigos de j ornais em oldurados.
Notei que alguns deles eram sobre um a gangue de m eninos assassinos e o hom em que os liderava. O nom e Tiger, no entanto, não era citado.
– São todos seus? – perguntei, olhando ao redor. – Você é um a m ulher ocupada, hein?
Dessa vez, ela ficou um pouco sem j eito. Era a prim eira vez que eu a via constrangida.
– Digam os que nunca precisei m e perguntar se m eus pais têm orgulho de m im .
Tam bém notei, em cim a da m esa, um porta-retratos com a foto de um m ilitar: um j ovem soldado com os traços e os olhos de Adanne.
– Seu irm ão?
– Sim , Kalu.
Ela foi até lá e o pegou. A tristeza surgiu im ediatam ente em seus olhos.
– Ele era do Corpo de Engenharia do Exército. Meu irm ão m ais velho. Eu o adorava, Alex. Você teria gostado dele.
Tive vontade de perguntar o que havia acontecido com ele, m as fiquei calado.
– Dois anos atrás, ele foi para Niku, para um a reunião do Ministério de Desenvolvim ento Urbano – contou ela. – Havia um j antar naquela noite. Um a cerim ônia particular num restaurante fam oso. Ninguém sabe exatam ente o que aconteceu, m as todas as 15 pessoas presentes foram encontradas m ortas. Massacradas por arm as de fogo e facões.
Tiger?, perguntei-m e. E seus meninos assassinos? Era por isso que ela havia escrito sobre ele? E talvez por isso que eu estava ali naquele momento? Será que tudo estava finalmente se encaixando?
Adanne pousou a fotografia com um suspiro. Então correu os dedos, distraída, pelas suas tranças. Mais um a vez, não pude deixar de notar com o ela era bonita. Estonteante, para dizer a verdade. Era im possível não perceber.
– Foi a prim eira vez que ouvi falar de Tiger. Só porque decidi investigar por conta própria. A investigação “oficial” da polícia não levou a lugar nenhum . Com o sem pre.
– Você ainda está investigando? – perguntei.
Ela assentiu.
– Talvez algum dia eu possa dizer aos m eus pais que o assassinato de Kalu foi solucionado. Isso seria o m áxim o, “o auge da minha carreira”, com o se diz. Enquanto isso, não tocam os no assunto, entende?
– Claro. E sinto m uito.
– Não tem necessidade, Alex. Estou trabalhando num a história que é m aior e m ais im portante do que qualquer assassino. É sobre as pessoas que os contratam , aquelas que querem controlar nosso país. Sinceram ente, é assustador até para m im .
Ficam os calados por alguns segundos, o que era incom um . Trocam os olhares e o silêncio de repente se tornou incontestavelm ente pesado.
Sem dúvida, com o a m aioria dos hom ens que Adanne conhecia, tive vontade de beij á-la, m as m e contive. Não queria insultá-la ou desrespeitar seus pais, ou, o que era m ais im portante, Bree.
Ela sorriu para m im .
– Você é um bom hom em , Alex. Eu não esperava isso... de um am ericano.