O dia da caça
capítulo 98
POR VOLTA DA MEIA-NOITE, ADANNE m e levou até o pequeno quarto nos fundos da casa onde eu ficaria. Ela tocou m eu braço, entrou atrás de m im e se sentou na cam a.
Notei que ela ainda estava de bom hum or, sorrindo, um a pessoa diferente da que havia ido com igo para Darfur alguns dias antes – e m uito diferente da repórter desconfiada e sisuda que eu conhecera no seu escritório.
– Eles gostaram de você, Alex, especialm ente m inha m ãe e m inha cunhada. Não sei por quê. Não entendo.
Eu ri.
– Acho que eu os enganei. Logo, logo eles vão ver a verdade.
– Isso m esm o. Era exatam ente o que eu ia dizer. Parece que agora tam bém tem os pensam entos iguais. Então... no que você está pensando agora? Diga a verdade, Alex.
Eu não tinha um a resposta m uito boa para Adanne. Para ser sincero, tinha, sim , m as não queria dizê-la em voz alta. Só que falei assim m esm o:
– Acho que existe um a atração entre nós, m as tem os que superá-la.
– Provavelm ente você está certo, Alex. Ou talvez não.
Adanne se inclinou para m im e beij ou m eu rosto, m antendo os lábios ali por um instante. Ela em anava um cheiro de sabonete, gostoso e lim po.
Quando fitou m eus olhos, ela ainda sorria. Seus dentes eram perfeitam ente brancos.
– Só quero m e deitar um pouco aqui com você. Tudo bem ? Só ficar j untos, sem nenhum a intim idade a m ais? O que você acha? Podem os fazer isso duas noites seguidas?
Finalm ente beij ei Adanne de volta, na boca, m as não prolonguei m uito o beij o.
– Eu gostaria disso – falei para ela.
– Eu tam bém . Tenho am or por você, Alex. Acho que é um a coisa passageira. Não diga nada. Não estrague isso, sej a lá o que for.
Obedeci. Ficam os abraçados até dorm ir. Não sei se isso nos afastou ou nos aproxim ou m ais, m as não aconteceu nada de que pudéssem os nos arrepender.
Ou talvez eu ainda fosse m e arrepender por nada ter acontecido.