O dia da caça
capítulo 7
TIGER ERA O MAIS ALTO e m ais forte dos 10 negros m usculosos que corriam de um lado para outro num a quadra de basquete com piso de cim ento desbotado no Carter Park, em Petway. Sabia que não era bom nos dribles nem nos arrem essos, m as pegava rebotes com o um profissional e defendia a cesta com o um leão – e, m ais do que tudo, detestava perder. No m undo dele, se perder, você morre.
O j ogador que ele m arcava gostava de ser cham ado de “Buckwheat”. E Tiger ouvira falar que o apelido tinha a ver com um a antiga série de TV que às vezes ridicularizava crianças negras.
Buckwheat era rápido na quadra e um lançador confiável. Tam bém gostava de insultar os outros, com o a m aioria dos j ovens j ogadores de Washington, D.C. Tiger aprendera a j ogar em Londres, quando estava na universidade, m as não ouvia tantos palavrões na Inglaterra.
– Você canta vitória, m as vai perder – disse Tiger por fim , enquanto ele e seu oponente corriam pela quadra, om bro a om bro.
Buckwheat desviou de um m arcador e pegou um passe quicado no canto esquerdo. Em seguida, deu um salto e encestou um arrem esso que descreveu um arco perfeito, m esm o depois de Tiger lhe dar um encontrão no m om ento em que ele lançava a bola.
– Macaco de m erda – gritou o adversário enquanto os dois corriam de volta.
– Você acha m esm o?
– Ah, tenho certeza. Em breve você vai ser só um gorilão assistindo do lado de fora.
Tiger riu e não disse m ais nada. Ele fez um a cesta depois de pegar um rebote, então o tim e de Buckwheat atravessou a quadra com a bola a toda a velocidade.
Buckwheat pegou um passe sem parar de correr e enterrou a bola com força no aro. Ele estava um passo à frente de Tiger e gritou “Fim de j ogo!” antes m esm o de saltar para a enterrada decisiva.
Estava em pleno ar, gracioso e atlético, quando Tiger o atingiu com toda a força e todo o seu peso. Ele derrubou o hom em de 1,90m , lançando-o contra o poste de m etal que sustentava a cesta. Buckwheat se estatelou no cim ento com sangue escorrendo pelo rosto.
– Fim de jogo! – gritou Tiger, erguendo as duas m ãos.
Ele adorava j ogar basquete. Com o era divertido espancar aqueles afro-americanos linguarudos que não sabiam absolutam ente nada sobre o m undo real.
Do lado de fora da quadra, seus rapazes vibraram com o se ele fosse um a m istura de Michael Jordan e Kobe Bry ant. Ele sabia que não era nada disso. Não queria ser com o Michael ou Kobe. Ele era m uito m elhor.
Todos os dias, decidia quem iria viver e quem iria morrer.
Quando saiu da quadra, um hom em veio falar com ele. Aquele suj eito branco vestindo um terno cinza não poderia estar m ais deslocado.
– Ghedi Ahm ed – falou o dem ônio branco. – Sabe quem é?
Tiger assentiu.
– Sei quem ele era.
– Faça dele um exem plo.
– A fam ília dele tam bém .
– Claro – concordou o dem ônio branco. – A fam ília dele tam bém .