O dia da caça

James Patterson · Capítulo 92 de 165

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O dia da caça

capítulo 90

 

NO DIA SEGUINTE, DEIXAMOS O cam po de Kalm a. Nove refugiados tinham m orrido durante o ataque noturno; outros quatro estavam desaparecidos. Se isso tivesse acontecido em Washington, a cidade inteira estaria em polvorosa.

Em m anuel era um dos m ortos. Eles tinham cortado sua cabeça, provavelm ente por causa de sua participação em nosso contra-ataque m ais cedo.

Eu e Adanne tivem os a m esm a intuição e fom os para o cam po de Abu Shouk, o segundo m aior assentam ento da região. A recepção ali foi m ais am bígua do que a que havíam os tido em Kalm a.

Um grande incêndio na noite anterior tinha reduzido o núm ero de funcionários e nos m andaram esperar na tenda adm inistrativa principal até que alguém pudesse nos atender.

– Vam os em bora – falei para Adanne depois de esperarm os por quase um a hora e m eia.

Ela teve que correr para m e alcançar. Eu j á estava subindo por entre um a fileira do que pareciam abrigos. Abu Shouk era m uito m ais uniform e e deplorável do que Kalm a. As construções eram quase todas de pau a pique.

– Aonde você vai? – perguntou Adanne quando m e alcançou.

– Vou aonde as pessoas estão.

– Está bem , Alex. Vou bancar a detetive com você hoj e.

Três horas depois, Adanne e eu tivéram os m eia dúzia de conversas quase totalm ente infrutíferas, em que ela tentou servir de tradutora. A princípio, os m oradores eram tão am igáveis quanto os de Kalm a, m as, assim que eu m encionava Tiger, eles se calavam ou sim plesm ente se afastavam de nós. Ele havia estado ali antes, m as isso era tudo o que aquelas pessoas estavam dispostas a contar.

Finalm ente chegam os a um a das extrem idades do cam po, onde um a planície de areia se estendia rum o a um a cadeia de m ontanhas baixas ao longe e, provavelm ente, rum o a bandos de janjawid.

– Alex, tem os que voltar – disse Adanne. Seu tom era irredutível. – Infelizm ente, isto não está sendo nada produtivo, não acha? Estam os quase desidratados e nem sabem os onde vam os dorm ir hoj e à noite. Terem os sorte se arranj arm os um a carona para a cidade – ela se deteve e olhou ao redor –, se conseguirm os pelo m enos encontrar o cam inho de volta para a tenda da adm inistração antes de escurecer.

O lugar era com o um labirinto, com fileiras de cabanas idênticas por todo lado. E um a quantidade im ensa de pessoas deslocadas, m ilhares e m ilhares delas, m uitas doentes e m oribundas.

Respirei fundo, tentando com bater a frustração daquele dia.

– Está bem . Você tem razão. Vam os.

Com eçam os a percorrer o cam inho de volta e tínham os acabado de dobrar um a esquina quando parei novam ente. Ergui um a das m ãos para im pedir que Adanne desse outro passo.

– Espere. Não se m exa – falei baixinho.

Eu tinha vislum brado um hom em grande saindo agachado de um dos abrigos. Usava o que eu cham aria de roupas com uns em qualquer outro lugar. Ali, elas o identificavam com o um estranho.

Ele era enorm e, tanto em altura quanto em largura, tinha a cabeça raspada, usava calça preta, um dashiki branco e longo e óculos escuros sob as sobrancelhas fartas.

Recuei um passo, saindo de vista.

Era ele. Tinha certeza de que era o m esm o desgraçado que eu vira em Chantilly. Tiger: o homem que eu estava perseguindo.

– Alex...

– Shh. É ele, Adanne.

– Oh, m eu Deus, é m esm o!

O hom em gesticulou para alguém fora do m eu cam po de visão, então dois m eninos saíram do abrigo atrás dele. Um deles não era ninguém para m im . O outro usava um a cam isa verm elha e branca dos Houston Rockets. Eu o reconheci im ediatam ente. Era o m esm o garoto que eu tinha visto em Serra Leoa.

Adanne agarrou m eu braço com força e sussurrou:

– O que você vai fazer?

Eles estavam se afastando, m as eu ainda os via perfeitam ente.

– Quero que você espere cinco m inutos e então ache o cam inho de volta. Encontrarei você.

– Alex! – Ela abriu a boca para falar outra coisa, m as então se deteve.

Meus olhos devem ter lhe m ostrado que eu estava falando sério. Eu acabara de perceber que tudo o que tinham m e dito até então era verdade. As regras que eu conhecia sim plesm ente não se aplicavam ali.

Não havia com o prendê-lo – ou levá-lo de volta a Washington.

Eu teria que m atar Tiger, talvez bem ali no cam po de Abu Shouk.

Não via nenhum problem a em fazer isso. Tiger era um assassino.

E eu finalm ente conseguira alcançá-lo.