O dia da caça
capítulo 11
TODOS ALI SABIAM QUE AQUILO significava problem a, m as ninguém sabia de que tipo ou qual a gravidade dele.
Um a van verde-escura parou cantando pneus diante de um a pequena m esquita em Washington cham ada Masj id Al-Shura. Mais de 150 fiéis pacíficos estavam apinhados na calçada em frente ao tem plo.
Ainda assim , logo que Ghedi Ahm ed viu os m atadores saindo da van às pressas, com seus blusões com capuz cinza, os rostos cobertos por m áscaras pretas e óculos escuros vistosos, soube que tinham vindo atrás dele. Eram só garotos... os garotos de Tiger.
Os prim eiros tiros foram disparados para o alto. Apenas um alerta. Hom ens e m ulheres gritaram e alguns voltaram correndo para a m esquita.
Outros se j ogaram de bruços na calçada, protegendo seus filhos da m elhor m aneira possível.
Com as m ãos para cim a, Ghedi Ahm ed tom ou sua decisão e se afastou da fam ília. Melhor morrer sozinho do que levá-los comigo, pensou, trem endo com o vara verde.
Não tinha se afastado m uito quando ouviu sua m ulher, Aziza, gritar e percebeu o terrível erro que havia com etido.
– Ghedi! Ghedi!
Ele se virou a tem po de ver os rapazes ensandecidos carregarem sua esposa até a van estacionada e a j ogarem lá dentro. E em seguida... seus filhos! Eles estavam levando as crianças tam bém ! Todas as quatro foram em purradas para o interior do veículo.
Ghedi m udou seu percurso na m esm a hora e com eçou a gritar m ais alto do que qualquer pessoa na m ultidão, m ais até do que Aziza.
Um hom em coraj oso da congregação deu um soco em um dos sequestradores. O garoto gritou “Cachorro!” e deu um tiro no rosto de seu agressor. Em seguida disparou novam ente no hom em , que j á estava caído na calçada, de braços abertos, agonizando.
Um a terceira bala derrubou um a senhora idosa assim que Ghedi passou por ela.
O tiro seguinte o atingiu na perna, transform ando sua corrida num a queda. Em seguida, dois dos garotos o levantaram do chão e o j ogaram na van com sua fam ília.
– As crianças! As crianças não! – im plorou Aziza aos prantos.
– Para onde vocês estão nos levando? – gritou Ghedi para os sequestradores. – Para onde?
– Para Alá – respondeu o m otorista, que era o próprio Tiger.