O dia da caça
capítulo 9
AQUELE ERA O ÚLTIMO LUGAR da capital – ou talvez do m undo – onde eu queria estar.
Era tão inacreditavelm ente triste, lúgubre e trágico. Fazia virem à tona tantas m em órias.
O escritório de Ellie ficava no segundo andar da casa. Era tão bem -arrum ado e organizado quanto eu m e lem brava de que ela m esm a era quando acreditávam os que aquilo que sentíam os um pelo outro era am or.
Um exem plar da autobiografia de Sidney Poitier estava aberto no braço de um a poltrona. Eu gostava daquele livro e m e lem brei de que Ellie e eu tínham os interesses com uns em literatura, m úsica e política.
Todas as persianas estavam baixadas na m esm a altura. Sobre a escrivaninha havia um iMac, um telefone, um a agenda e algum as fotos de fam ília em porta-retratos prateados. O côm odo parecia estranho se com parado ao andar de baixo da casa, que tinha sido saqueado pelos assassinos na noite anterior.
Com ecei pela agenda e então passei para as gavetas da escrivaninha. Ainda não sabia o que exatam ente estava procurando, apenas que tinha precisado voltar ali com as ideias m ais claras do que da prim eira vez.
Liguei o com putador de Ellie e acessei seu e-m ail, conferindo a caixa de entrada, os itens enviados e as m ensagens excluídas, das m ais novas para as m ais antigas. Estava tentando chegar o m ais perto possível do m om ento dos assassinatos. Será que Ellie conhecia os crim inosos?
A prim eira coisa que cham ou m inha atenção foi um recado de um editor da Georgetown University Press. Era sobre o andam ento de seu “novo livro”.
Ellie estava para publicar um livro novo? Eu sabia que ela fazia parte do departam ento de história da Georgetown, m as m eu conhecim ento não ia além disso. Tínham os nos esbarrado em alguns eventos beneficentes ao longo dos últim os 15 anos, m as isso era tudo. Ela era casada e, durante a m aior parte desse tem po, eu era solteiro e às vezes esse tipo de coisa pode fazer você perder o contato.
Pesquisei seu nom e na Am azon e na Barnes & Noble e encontrei três livros. Todos tinham algo a ver com questões sociopolíticas na África. O m ais recente, Momento crítico, tinha sido publicado quatro anos antes.
Então onde estava o novo livro? Será que havia algum m anuscrito não term inado que eu pudesse ler?
Girei o corpo para analisar as estantes que iam do chão ao teto e ocupavam duas paredes do escritório. Ellie tinha centenas de livros ali, m isturados com um a coleção de prêm ios e condecorações.
Desenhos infantis e fotos em olduradas ocupavam o restante do espaço.
Então, de repente, eu estava olhando para uma foto minha.