O dia da caça
Parte Dois
SINAL DA CRUZ
capítulo 27
TIGER ERA UM ENIGMA EM todos os sentidos, um m istério que ninguém nunca havia solucionado. Na verdade, não havia tigres na África e foi por isso que ele ganhou o apelido. Era incom parável, único, superior a todos os outros anim ais, sobretudo os hum anos.
Antes de ir estudar na Inglaterra, Tiger passara alguns anos na França, onde aprendera francês e inglês. Tinha facilidade com idiom as e conseguia se lem brar de quase tudo que aprendia ou lia. Durante seu prim eiro verão na França, vendeu pássaros de brinquedo para crianças na frente do Palácio de Versalhes. Ali, aprendeu um a lição valiosa: odiar o hom em branco e, em especial, as fam ílias brancas.
Hoj e, tinha um a m issão num a cidade da qual não gostava m uito, pois os estrangeiros haviam deixado m arcas m uito fortes ali. A cidade era Port Harcourt, na região do delta do Níger, onde ficava a m aioria dos poços de petróleo.
O j ogo havia com eçado. Ele tinha outra recom pensa para recolher.
Um Mercedes preto subia, acelerado, um a colina íngrem e em direção à parte da cidade reservada aos estrangeiros ricos – em direção a Tiger.
Com o sem pre, ele esperou pacientem ente sua presa.
Então saiu andando para o m eio da rua com o um pobre bêbado. O Mercedes teria que parar bem depressa ou acertá-lo em cheio.
Ele era tão grande que poderia am assar o carro e provavelm ente por isso o m otorista pisou no freio no últim o instante.
Tiger pôde ver aqueles negros desprezíveis, de uniform e, xingarem -no por trás do para-brisa im pecavelm ente lim po. Em seguida, ergueu rapidam ente a pistola e atirou no m otorista e no guarda-costas.
Seus m eninos, alucinados, j á ladeavam as portas traseiras da lim usine, quebrando as j anelas com pés de cabra. Eles abriram as portas e puxaram as crianças brancas para fora, um casal de pré-adolescentes que não parava de gritar.
– Não os m achuquem , tenho planos para eles! – gritou Tiger.
Um a hora depois, as duas crianças estavam num a cabana em um a fazenda deserta fora da cidade. A essa altura, j á estavam m ortas e, m esm o que um dia fossem encontradas, j am ais seria reconhecidas. Ele as m ergulhara em um caldeirão de óleo fervente. O m andante havia ordenado esse tipo de execução, bastante com um no Sudão. Tiger não tinha problem as com isso.
Por fim , pegou o celular e ligou para um núm ero na cidade. Quando atenderam , ele não deixou que os pais das crianças falassem .
Ele tam bém não conversaria com a polícia local, nem com o em preiteiro que trabalhava para a em presa de petróleo e deveria protegê-los.
– Se quiser voltar a ver Adam e Chole, faça exatam ente o que eu m andar. Em prim eiro lugar, não quero ouvir um a palavra de vocês. Nem uma palavra.
Um dos policiais falou, é claro, e ele desligou o telefone. Tornaria a ligar m ais tarde e teria seu dinheiro no fim do dia. Foi um trabalho fácil e Adam e Chole lem bravam as crianças brancas antipáticas e gananciosas que costum avam com prar seus pássaros em Versalhes.
Não sentia um pingo de rem orso por eles. Para ele, não passavam de um negócio.
Apenas m ais um a recom pensa gorda para receber.
E apenas o com eço do que estava por vir.