O dia da caça
capítulo 150
ALGUM TEMPO DEPOIS, COMECEI A ter alucinações e m e perguntei se havia algo na água ou talvez nas bolachas que eu com era.
Eu estava convencido de que havia voltado à África e estava perdido em algum a parte de um vasto deserto. Sabia que ia m orrer em breve, o que não m e pareceu tão ruim . Para ser franco, aceitava de bom grado a m orte e m e perguntava se encontraria Nana, Jannie e Ali do outro lado. Será que Maria tam bém estaria lá? E outras pessoas que eu havia perdido?
Levei um golpe violento nas costas e caí de j oelhos de novo.
– Você estava sonhando, dorm indo em pé. Isso é proibido.
– Sinto m uito.
– É claro que sente. Agora, você gostaria que isso term inasse? Gostaria de dorm ir um pouco? Aposto que sim .
Mais do que qualquer outra coisa que já quis na vida.
– Onde...? – com ecei a perguntar.
– Certo, onde está a porra da sua fam ília? Você é persistente m esm o, hein? Ou será que é só cabeça-dura? Ou burro? Agora, preste atenção. Eu vou deixar você dorm ir. Eu vou dizer que fim levou sua fam ília... Está m e acom panhando até aqui?... Entende o que estou dizendo?
– Sim .
– Sim o quê? Diga com o que está concordando.
– Você vai m e contar sobre m inha fam ília. Vai m e deixar dorm ir.
– Desde que...?
Eu não ataque você e acabe com sua raça, seu filho da puta. Querer é poder...
– Desde que eu responda às suas perguntas.
– Muito bem . Quer m ais água?
– Quero.
O capuz foi erguido até a m etade e a garrafa d’água recolocada sobre m eus lábios. Bebi tanto quanto quis, m as depois houve um silêncio. Isso m e fez m orrer de m edo. Ele tinha ido em bora? O hom em que sabia o que havia acontecido com m inha fam ília? O único que tinha de fato conversado com igo por alguns m inutos?
– Vi coisas horríveis na África, especialm ente no Sudão – falei. – Duvido que você se interesse por algum a delas. A fam ília Tansi foi assassinada. Em Lagos. Talvez porque estivessem em contato com igo. Ou talvez por causa do que Adanne escrevia no j ornal... Você tem com o conseguir os artigos dela.
Não havia nenhum outro barulho além da m inha voz, então perguntei:
– Você está aí? Queria que eu falasse, não queria? Está ouvindo agora? Enfim , Adanne e eu fom os levados para um a prisão – prossegui. – Ela foi assassinada na m inha frente. Tiger a m atou. Não sei quem eram os outros hom ens que estavam nos m antendo presos. Porra, nem sei quem é você!
Apesar da m inha explosão, ninguém falou nada.
– Antes de irm os para a prisão – continuei –, Adanne m e contou sobre um a grande m atéria que estava escrevendo... ela seria publicada no Guardian. Talvez em outros j ornais tam bém . Não tenho certeza. Ela havia descoberto que os Estados Unidos possivelm ente estavam m anipulando facções no Delta... para garantir que os cam pos de petróleo ficassem nas m ãos certas. Adanne tinha entrevistas gravadas. As fitas foram confiscadas. Quem quer que tenha nos capturado... deve estar com elas agora. As fitas estão com você, não estão?
Parei de falar e esperei um a resposta, qualquer um a.
Mas ninguém disse nada. Essa era a técnica... e quer saber de um a coisa? Funcionava. Continuei falando:
– Adanne m e contou que o hom em conhecido com o Tiger tam bém estava sendo pago pelo nosso governo. Não sei se é verdade. Você deve saber, não?
Parei novam ente, então prossegui:
– Pela CIA, talvez. Ou pelas com panhias petrolíferas. Por alguém daqui. Adanne escreveu isso e contou para outra escritora, cham ada Ellie Cox, que foi m orta por causa do que sabia.
Parei por um instante e depois concluí:
– É isso o que sei. Foi tudo o que Adanne descobriu. Não há mais nada.
Eu m e interrom pi outra vez. Ainda não havia resposta, nenhum a palavra do interrogador.
Eu esperei.
E esperei.
E esperei.