O dia da caça
capítulo 62
SEGUI O HOMEM SEM UM braço, de aparência frágil, até um a velha casa de pedra nos arredores do vilarej o, no cam inho de volta para a Running Recovery. Já eram pelo m enos onze da noite, m as as luzes da casa ainda estavam acesas. Perguntei-m e se Moisés era um a exceção ou se m uitas pessoas dali estariam dispostas a aj udar um estranho, m esm o ele sendo am ericano. Até onde eu sabia, a m aioria das pessoas de Serra Leoa era boa e apenas se tornara vítim a das circunstâncias e da ganância.
Um hom em de cabelos grisalhos abriu a porta.
– O que você quer? – perguntou.
Um grupo de crianças se am ontoava atrás dele, tentando ver quem tinha vindo à sua casa no m eio da noite.
– O am ericano quer com prar um autom óvel – disse Moisés. – Ele tem dinheiro.
Seguindo o conselho de Moisés, a princípio fiquei quieto. Antes de oferecer dinheiro, eu precisava saber exatam ente quais eram as nossas opções.
– Você está com sorte – respondeu o hom em , abrindo um leve sorriso. – Ficam os abertos até tarde.
A m elhor das latas-velhas que ele tinha nos fundos era um Mazda Drifter m uito antigo, com um a lona esfarrapada sobre a carroceria e um espaço vazio no painel onde deveria estar o velocím etro.
Mas o m otor pegou, tim idam ente, na prim eira tentativa. E o preço foi j usto: 500 leones.
Além do m ais, ele não se im portou que eu passasse a noite ali, dentro do veículo.
Eu disse a Moisés que ele j á fizera m uito por m im e que deveria ir para casa, m as ele não quis nem ouvir falar no assunto. Ficou com igo até o am anhecer e então foi arranj ar as poucas coisas de que, segundo ele, eu precisaria para viaj ar em segurança – o que incluía um a autorização da polícia para sair do país.
Enquanto esperava, com ecei a perceber com o aquela viagem de volta era arriscada. Eu teria que atravessar m ais de 1.500 quilôm etros até Lagos, cruzando diversas fronteiras, sem nada para m e guiar além dos m apas que Moisés nem tinha certeza de que encontraria.
Então, quando ele voltou, eu tinha um a proposta a lhe fazer.
– Se você vier com igo, poderá ficar com a cam inhonete. Um a troca j usta pelos seus serviços.
Eu esperava um a negociação, ou pelo m enos que ele hesitasse, m as não houve nada disso.
Ele tirou um farnel de couro de cabra do om bro e o j ogou dentro da cam inhonete, então m e devolveu o dinheiro que não tinha gastado.
– Sim – lim itou-se a dizer. – Eu vou.