O dia da caça
capítulo 41
AQUILO DEFINITIVAMENTE ERA O INFERNO. Passam os por várias portas de m etal sinistras com o a da m inha cela. Perguntei-m e quantos prisioneiros haveria ali e quantos seriam am ericanos. Suspeitava que eu não fosse o único, porque a m aioria dos guardas falava um pouco de inglês.
A últim a porta da ala era a única que não tinha trinco. Diante dela, havia um a cadeira de escritório velha, com o assento quase todo enferruj ado.
– Pra dentro – latiu o guarda. – Rápido, vam os, detetive.
Quando eu estava prestes a tirar a cadeira do cam inho, ele a em purrou para as m inhas m ãos. Menos m au. Pelo m enos era algo para sentar além do chão e eu não estava com m uita disposição para ficar em pé.
Assim que entrei, ele fechou a porta e, pelo que pude ouvir, foi em bora.
Aquele espaço era parecido com a cela, só que tinha a m etade do tam anho e estava vazio. O chão de cim ento e as paredes de pedra estavam raiados de negro e provavelm ente era dali que vinha o cheiro pútrido.
Não havia latrina ali; talvez porque todo aquele espaço tenha sido um a algum dia.
Olhei para a porta de m etal cinza. Levando-se em conta que não havia trinco, tentar sair dali seria m ais idiota do que sim plesm ente sentar e esperar o que aconteceria em seguida?
Provavelm ente não, m as eu não podia ter certeza.
Já estava quase de pé quando ouvi passos. Tornei a m e sentar. A porta se abriu e dois policiais entraram – seus uniform es eram pretos, não azuis com o os dos guardas. Algo nas m inhas entranhas m e disse que aquela não era um a boa m udança.
A expressão dura e irritada em seus rostos dizia o m esm o.
– Cross? Alexander? – latiu um deles.
– Podem m e dar um pouco d’água? – pedi.
Era o que eu m ais queria na vida. Mal conseguia falar àquela altura.
Um dos policiais, que usava óculos espelhados, olhou para o outro, que balançou a cabeça negativam ente.
– Do que eu estou sendo acusado? – perguntei.
– Pergunta idiota – disse Óculos Espelhados.
Com o se quisesse com provar isso, o segundo policial se aproxim ou e socou m inha barriga. Perdi o fôlego antes m esm o de cair no chão com o um saco de farinha.
– Levante-o!
Óculos Espelhados m e ergueu com facilidade, então colocou seus braços fortes em volta dos m eus om bros, segurando-m e por trás e m e im pedindo de cair quando tom ei outro soco. Além disso, tam bém garantiu que m eu corpo absorvesse todo o im pacto. Vom itei, um pouco surpreso por ter o que botar para fora.
– Tenho dinheiro – falei, tentando a m esm a tática que havia funcionado com a im igração.
O policial no com ando era enorm e – tão alto quanto Sam pson, com um a barriga caída igual à de Idi Am in. Ele m e olhou nos olhos.
– Vej am os o que você tem a oferecer.
– Não aqui – falei.
Flaherty, m eu contato na CIA, supostam ente havia criado um fundo m onetário para m im em um banco de Lagos, o que, àquela altura, era o m esm o que a um m ilhão de quilôm etros de distância.
– Mas posso conseguir... – acrescentei.
O policial no com ando acertou m eu queixo com o cotovelo. Em seguida, outro soco atingiu m eu peito. De repente, eu não conseguia m ais respirar.
Ele deu um passo para trás e gesticulou para que Óculos Espelhados saísse do cam inho. Com um a agilidade que eu j am ais poderia im aginar que ele tivesse, aquele hom em gordo e grande deu um chute alto e, com um a de suas botas, m e atingiu em cheio no peito outra vez. Perdi o pouco ar que m e restava. Era com o se eu tivesse acabado de ser esm agado.
Mais escutei do que vi os dois policiais saírem dali. E foi só isso. Eles m e deixaram caído no chão; nenhum interrogatório, nenhum a exigência, nenhum a explicação.
Nenhum a esperança?