O dia da caça
capítulo 69
ÁFRICA! SERÁ QUE HAVIA ALGUM lugar no m undo parecido com aquele? Eu duvidava.
Chegam os a Porto-Novo no dia seguinte e decidim os que seria m elhor se eu pegasse um ônibus dali até Lagos. Havia um hom em parado do lado de fora do banheiro na rodoviária. Ele tentou m e convencer a pagar para entrar, até que eu lhe disse que preferia m ij ar nos sapatos dele. O hom em riu e saiu do cam inho.
Então Moisés e eu nos despedim os e ele foi em bora, orgulhoso, em sua cam inhonete. Nunca descobri se ele era um bom sam aritano ou um oportunista, em bora tendesse a acreditar na prim eira opção. Sem pre pensarei em Moisés com o m eu prim eiro am igo na África.
De volta ao hotel em Lagos, m e livrei de três dias de poeira, suor e sangue com um bom banho. Olhei m eu nariz torto no espelho do banheiro. Alex, você é uma figura. Por fim , m e estatelei na cam a para telefonar para casa.
Dessa vez, liguei prim eiro para o celular de Bree. Era bom sim plesm ente voltar a ouvir sua voz, m as os cum prim entos calorosos entre nós dois foram breves.
Bree tinha notícias que não podiam esperar – sobre um novo assassinato, na Rua 18, e sobre um m enino que encontrara no local e sua inform ação de que “havia mais de um Tiger”. Flaherty m e dissera a m esm a coisa, m as eu estava certo de estar atrás de um único assassino. Meu instinto m e dizia isso.
Ela contra-argum entou:
– Se esse m enino for confiável, é a coisa m ais perto de um inform ante que tem os. Ele fazia parte da gangue, Alex. Você poderia estar evitando a m esm a quantidade de estragos aqui em Washington, talvez m ais. Volte para casa.
– Bree, você está dizendo que tem um a testem unha fantasm a aí. Um m enino. Sei que o hom em que m atou Ellie e sua fam ília está aqui agora. Ele está em Lagos.
Pelo menos era isso que meu instinto dizia. Mas quem poderia ter certeza àquela altura?
– Vou ver o que m ais consigo descobrir, especialm ente a respeito dele.
A voz de Bree estava tensa. Nós nunca tínham os brigado de verdade antes, m as aquela conversa estava parecendo algo m uito próxim o disso.
– Ouça, Bree – falei. – Juro que não vou ficar aqui por m ais tem po do que o estritam ente necessário.
– Acho que tem os concepções m uito diferentes do que é necessário, Alex.
– Quanto a isso, talvez você tenha razão.
Eu poderia não ter dito essa últim a frase, m as a única coisa que eu podia oferecer a Bree naquele m om ento era a verdade.
– Estou m orrendo de saudades – falei por fim . Isso tam bém era verdade, m as eu estava tentando m udar de assunto. – O que você está vestindo? – perguntei.
Ela sabia que eu estava brincando e riu.
– Onde você acha que estou? Fred Feioso está olhando para m im do outro lado da m esa – ouvi um grito de protesto ao fundo – e m etade da Divisão de Casos Especiais está aqui no escritório com igo. Quer que eu continue?
Respondi que não e nos despedim os. Então, antes que eu pudesse discar o núm ero de casa, ouvi alguém arranhando minha porta.
– Quem é? – perguntei.
A porta se escancarou tão depressa que não tive nem tem po de sair da cam a para olhar. Reconheci o gerente da recepção.
Mas não os dois hom ens de ternos pretos e cam isas brancas parados atrás dele no corredor.
– O que você está fazendo no m eu quarto? – perguntei ao gerente. – Quem são eles?
Ele não m e dirigiu um a só palavra. Sim plesm ente segurou a porta aberta para os hom ens passarem e em seguida a fechou pelo lado de fora, enquanto os dois atravessavam o quarto na m inha direção.
Saltei da cam a.
– O que está havendo? – falei. – O que foi agora?