O dia da caça

James Patterson · Capítulo 75 de 165

Páginas do PDF

O dia da caça

capítulo 73

 

DUAS HORAS DEPOIS, EU ESTAVA j antando em grande estilo com o padre Bom bata em seu escritório na Redeem ed Church of Christ, um am plo com plexo no coração de Lagos.

– Obrigado por m e receber – falei. – E por tudo isto. Eu estava m esm o com fom e.

Sentados à m esa de seu escritório, dividíam os um a refeição de cudo, abóbora e salada, acom panhada por um a garrafa de vinho Zinfandel, sul-africano. O corpo m inúsculo do padre parecia ainda m enor por causa de um a cadeira de espaldar alto e das j anelas atrás dele, que iam do chão ao teto. Pesadas cortinas verm elhas perm itiam que apenas dois filetes da luz do fim da tarde entrassem no recinto.

– O que aconteceu com seu rosto? – perguntou-m e ele, parecendo preocupado de verdade. – Ou será que devo perguntar o que aconteceu com o outro hom em ?

Tinha quase m e esquecido de m inha aparência. O nariz havia parado de doer em algum lugar perto de Gana.

– Eu m e m achuquei fazendo a barba – falei, com um sorriso forçado.

Não queria dar m otivo para que m ais um a pessoa achasse que eu deveria voltar para casa no próxim o avião. Eu precisava de aliados, não de conselhos.

– Padre, recebi inform ações preocupantes sobre um assassino cham ado Tiger. O senhor acha que é possível haver m ais de um ? Talvez atuando em lugares diferentes? Com o aqui e nos Estados Unidos?

– Tudo é possível – disse ele, com um sorriso am ável. – Mas não é isso que você quer saber, é? De qualquer form a, im agino que a resposta sej a sim , é possível, especialm ente se houver envolvim ento do governo. Ou de grandes corporações. O que não falta são em pregadores para assassinos de aluguel. É um a prática com um .

– Por que o governo? Ou um a corporação?

O padre revirou os olhos, m as então m e deu um a resposta direta:

– Eles são capazes de controlar inform ações que outros não conseguiriam . E de controlar informações falsas tam bém .

– Algum a ideia de por que iriam querer fazer isso? Se envolver em algo desse tipo, quero dizer.

Ele se levantou para m e servir um pouco m ais de vinho.

– Posso im aginar inúm eros m otivos. Mas seria irresponsabilidade m inha sugerir que isso estej a m esm o acontecendo. Porque, sinceram ente, não faço a m enor ideia. O nom e é um sim bolism o. Tiger. Não existem m uitos tigres na África, sabia? Talvez em algum zoológico.

– Eu sei. De todo m odo, estou perseguindo pelo m enos um hom em real – falei. – Preciso descobrir para onde ele foi. Ele m atou um a am iga m inha e a fam ília dela. Outras fam ílias tam bém foram assassinadas.

Ele olhou para um relógio de m ogno à sua frente na m esa e disse:

– Se você m e perm ite dar m inha opinião, pelo que m e contou, acho que sua necessidade m ais im ediata é de um lugar para dorm ir.

– Eu não pretendia pedir.

– Não há necessidade, detetive Cross. Não posso lhe oferecer nada aqui. Eu poderia assum ir esse risco para m im m esm o, m as não para m inha congregação. Porém , posso levá-lo para nosso abrigo. A estadia não pode ultrapassar cinco noites e não é nenhum hotel...

– Eu aceito. Obrigado.

– Quanto ao seu m isterioso Tiger, não tenho com o aj udar.

– Entendo – respondi.

Eu estava profundam ente decepcionado, m as tentei não deixar transparecer.

O padre Bom bata ergueu um a das m ãos.

– Você pensa rápido, não é? Às vezes até dem ais. O que eu queria dizer é que não posso aj udá-lo pessoalm ente. Mas conheço alguém que talvez possa. Ela é m inha prim a. A m ulher m ais bonita da Nigéria. Mas é claro que sou suspeito para falar. Tire suas próprias conclusões.