O dia da caça
capítulo 61
LEVEI UM MINUTO PARA RECUPERAR o fôlego e conferir a arm a que tinha roubado do bando de m eninos. Era um a Beretta subcom pacta, um m odelo nada barato. O pente só tinha capacidade para sete tiros, cinco dos quais haviam sido disparados. Com um pouco de sorte, não precisaria dos últim os dois naquela noite. Ou melhor: com muita sorte.
Eu estava apavorado e suava profusam ente. Era inevitável. Quase perdera um braço. As coisas poderiam m uito bem ter saído de outra m aneira. Isso é o que eu cham o de escapar por pouco.
Ouvi um barulho do lado de fora e ergui a Beretta. Quem estava ali? O que estava acontecendo agora?
– Não atire, senhor.
Era Moisés. Ele trazia um a vasilha d’água. Deu-m e um pano para que eu lim passe o rosto.
– O que o senhor vai fazer agora?
Era um a boa pergunta. Meu instinto dizia que Rockets não tinha m entido. Tiger não estava m ais ali. O m ais provável era que estivesse a cam inho da Nigéria com seus diam antes. Eu o perdera outra vez. O assassino e líder de gangue não era nada bobo.
– Acho que devo procurar um voo para sair daqui pela m anhã – falei para Moisés.
– O aeroporto é pequeno, senhor. Eles vão encontrar você com facilidade. Os garotos ou a polícia.
Ele tinha razão. Nem chegava a ser um aeroporto. Até onde eu m e lem brava, não tinha sequer um teto. Era só um a pista.
A propósito, eu ainda não sabia quem havia organizado aquele pequeno com itê de “boas-vindas” a Lagos. Se Tiger sabia onde eu estava – e eu era obrigado a supor que ele sabia –, eu poderia estar m e m etendo em outra rodada do m esm o tipo de hospitalidade, talvez com um final m ais desagradável.
De repente, com eçou um a gritaria do lado de fora. Vozes de rapazes. Era difícil saber quantos, m as pelo m enos m eia dúzia.
Moisés passou a cabeça pelo vão da porta, então voltou e apagou a lam parina com um sopro.
– Eles estão aqui – declarou. – O senhor deve ir em bora. Tem que ir.
Tive que concordar, nem que fosse só para evitar que Moisés se envolvesse naquela confusão terrível.
– Avise quando a barra estiver lim pa.
Ele se postou ao lado da porta, observando. Fiquei do outro lado, pronto para disparar ao seu sinal.
– Agora – disse ele, gesticulando para que eu saísse pela esquerda. – Vá agora!
Rápido.
Disparei por um a rua estreita e subi direto outro beco. A próxim a rua em que saí era m ais larga, porém totalm ente deserta. Dobrei à esquerda e segui adiante.
Só então percebi que Moisés ainda estava ao m eu lado.
– Por aqui – disse ele, apontando para o m eio da escuridão. – Sei onde o senhor pode com prar um a cam inhonete.