O dia da caça
capítulo 85
JANJAWID!
Eu j á podia vê-los. Algo em torno de um a dúzia de assassinos arm ados cavalgava na nossa direção.
Havia um vapor no ar, um a espécie de m iragem que tornava difícil determ inar o núm ero exato. De qualquer form a, sua velocidade não deixava m uito espaço para a im aginação. Eles estavam vindo atrás de nós – e rápido.
Duas das m ulheres, um a delas com um a criança se agarrando desesperadam ente à sua blusa, ainda estavam desam arrando o j um ento.
– Tire-as daqui! – gritei para Adanne. – Vá com elas. Por favor, Adanne.
– Tem os algum a outra arm a? – gritou ela.
– Não – respondeu Em m anuel. – Nossa arm a agora é a distância. Corra! Pelo am or de Deus, corra! Leve essas m ulheres de volta ao cam po.
Em m anuel e eu precisávam os resistir.
Nós nos posicionam os atrás da carroça abandonada. Eu a usava m ais com o apoio para o fuzil do que com o proteção.
Nossa m aior esperança era o fato de estarm os no chão, enquanto eles disparariam de cim a de seus cavalos.
Eu j á conseguia vê-los pela m ira, 11 assassinos, hom ens barbados com uniform es de cam panha largos, brandindo fuzis Kalashnikov.
Prestes a entrar no m eu alcance.
Foram eles que fizeram os prim eiros disparos, levantando areia dos nossos lados.
Eles cavalgavam um pouco m ais separados do que deviam , m as, ainda assim , bem agrupados. Não eram am adores. Gritando am eaças, confiantes quanto ao resultado final. E por que não estariam ? Eram 11 contra 2.
– Agora? – perguntei a Em m anuel.
– Agora! – gritou ele.
Dem os quatro tiros e dois atingiram os alvos. Os assassinos se curvaram sobre seus cavalos, com o m arionetes cuj os cordões tivessem sido soltos, então caíram no chão. Um deles foi pisoteado pelo próprio cavalo. Parecia que seu pescoço tinha sido torcido, talvez quebrado.
No m om ento em que puxei o gatilho de novo, percebi: Agora tudo mudou. Matei meu primeiro homem na África.
Escutei um grito atrás de m im e senti um em brulho no estôm ago. Um a das m ulheres em fuga tinha sido atingida – por um a bala perdida ou um tiro intencional.
Com um a olhada rápida por sobre o om bro, vi que não era Adanne.
Ela se m antinha agachada, tentando chegar à m ulher que se contorcia no chão. Tinha sido ferida som ente no braço. Somente.
Quando tornei a m e virar para os janjawid, dois dos cavaleiros tinham parado. Eles estavam desm ontando, não para aj udar os com panheiros, m as para conseguir atirar m elhor contra nós.
Os outros continuavam vindo depressa. Estavam a uns 40, 50 m etros de distância.
Em m anuel e eu tivem os o m esm o im pulso. Atiram os rápido nos cavaleiros da frente, um tiro atrás do outro. Em seguida, m iram os nos dois que estavam no chão. Cerca de m eio m inuto depois, tínham os abatido m ais três janjawid.
Então Em m anuel gritou, caiu e com eçou a se contorcer de dor.
E o restante dos janjawid estava em cim a de nós.