O dia da caça

James Patterson · Capítulo 133 de 165

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O dia da caça

capítulo 131

 

AS LIGAÇÕES PARA MINHA CASA com eçaram poucos m inutos depois das quatro da m anhã. A pessoa sempre desligava assim que eu atendia, um a vez após outra, praticam ente sem interrupções.

Aqueles telefonem as eram um a tortura em ocional, m as atendi todas as vezes; e não ousei deixar o fone fora do gancho. Como poderia fazer isso? Aquele era m eu único m eio de contato com Nana e as crianças. Quem quer que estivesse ligando estava com eles. Eu precisava acreditar nisso.

Bree e eu ficam os abraçados a noite toda, provavelm ente a pior da m inha vida.

Contei a ela parte do que tinha feito e visto na África – sobre os horrores, sobre Adanne e sua fam ília, sobre seus assassinatos sem sentido. Mas tam bém falei da bondade e da naturalidade das pessoas; de com o estavam desam paradas, presas num pesadelo que não haviam criado e que não queriam para suas vidas.

– E esse Tiger, o que m ais você descobriu sobre o desgraçado, Alex?

– Terrorista assassino... parece trabalhar para os dois lados. Para qualquer um que pague. É o assassino m ais violento que j á vi, Bree. Gosta de m achucar as pessoas. E existem outros com o ele. É com o cham am os m atadores de aluguel: Tiger.

– Então ele sequestrou Nana e as crianças? Foi ele? Tem certeza?

– Tenho – falei. O telefone voltou a tocar. – E é ele quem está ligando.

As ligações continuaram e com ecei a zanzar pela casa, indo de um côm odo a outro, sem parar de pensar na m inha fam ília por um instante sequer.

Na cozinha, o livro de culinária favorito de Nana continuava à vista. Ao m e aproxim ar, vi que estava aberto num a receita de bolo de chocolate com noz-pecã.

A fam osa capa de chuva de gabardina dela estava pendurada nas costas de um a das cadeiras da cozinha. Quantas vezes ela havia m e falado: “Não quero outra capa de chuva. Levei m eio século para deixar esta do j eito que eu gosto”?

Então com ecei a andar pelo quarto de Ali.

Vi seus cards do Pokém on distribuídos com capricho no chão. Moo, o bichinho de pelúcia que ele adorava. Um a cam isa pintada à m ão da sua festa de 5 anos. Um livro aberto na m esinha de cabeceira.

Quando cheguei ao quarto de Jannie, m e deixei cair pesadam ente na cam a. Corri os olhos por sua preciosa coleção de livros. E pelas cestinhas de aram e apinhadas de acessórios para cabelo, batons e loções com cheiro de frutas. Então vi seus óculos de leitura, prescritos apenas um m ês antes. Aquilo foi a gota d’água. Havia algo de m uito vulnerável e revelador naqueles óculos novos largados em cim a da escrivaninha.

Fiquei sentado ali segurando Rosie e então ouvi o telefone tocar novam ente. Bree atendeu.

– Vá se foder – disse ela, m uito baixinho.

Então desligou na cara de quem quer que estivesse ligando.