Terra

Eloy Moreno · Capítulo 100 de 205

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Capítulo 100

A organização já tinha conhecimento destas informações, mas averiguaram o caso demasiado tarde, quando Miss já era uma das pessoas com mais popularidade do concurso, quando as melhores marcas se digladiavam para a patrocinar.

Trabalhou-se intensamente no sentido de apagar a sua pegada digital: eliminaram-se fotografias, referências e textos e chegou-se aos recantos mais escuros da Internet, com a intenção de alterar todo o seu passado.

O problema era o papel, o grande inimigo, o último reduto de liberdade. Existia uma revista muito seleta, a que só podia aceder-se por subscrição. Uma revista que falava dos iates mais modernos, dos destinos turísticos da moda, dos últimos veículos de edição limitada. Uma revista que decorava as suas páginas com mulheres e homens a posarem, despidos. Quase todos eles jovens, quase todos passíveis de serem alugados por uma boa quantia.

Era muito difícil alguém ser escolhido para aparecer nessa revista: tinha de se ser jovem, desconhecido nas redes sociais e ter um corpo praticamente perfeito. Miss satisfazia os três requisitos, portanto, quando enviou as suas fotografias, chamaram-na, e ela não pensou duas vezes.

 

A organização conseguiu a morada das pessoas que subscreviam a revista.

Conseguiram comprá-las quase todas, mas foi esse «quase» que espoletou o desastre.

De alguma forma, uma dessas revistas chegou a um órgão de comunicação social da concorrência.

Em apenas algumas horas, os principais patrocinadores de Miss — joias exclusivas, empresas de cosméticos, marcas de alta costura — decidiram rescindir o contrato.

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