Terra
Capítulo 133
Um corpo anónimo continua parado no meio do nada. A escuridão é tudo o que o rodeia. Dos seus olhos, caem lágrimas que nenhuma câmara consegue captar. Cerra os dentes. Talvez o que vai acontecer de seguida seja o mais real que fez em toda a sua vida.
Respira fundo.
Silêncio.
E começa a correr.
E a imagem passa à câmara exterior seguinte e à seguinte e à seguinte… e, de repente, o corpo, exausto, detém-se. Ali, a imagem já não é tão nítida, mas continua a ser aceitável, o suficiente para ver que aquele corpo, no meio da dor, leva lentamente as mãos à cabeça, para o ver retirar o capacete, atirá-lo para o chão e, em apenas três segundos, cair sem sentidos.
Toda a gente viu o seu rosto.
E a Terra morre de vergonha.
São as redes sociais que, depois da comoção, começam a atacar todos os que insultaram uma rapariga que quis ter tudo.
De forma massiva, os utilizadores começam a apagar mensagens anteriores, eliminam-se contas, frases, imagens… Agora, ninguém quer ser responsabilizado.
Fomos todos, a sociedade, as redes sociais… dirão.
Mas isso não servirá de nada, porque, por detrás dessas redes, também há pessoas, e cada uma delas, com o seu grãozinho de areia, conseguiu acabar com uma vida.
#RIPVeruca foi trending topic durante vários dias.
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