Terra

Eloy Moreno · Capítulo 99 de 205

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Terra

Capítulo 99

— Quem é a Margaret Fride? — perguntei ao meu irmão.

— Acho que, desta vez, será mais rápido consultar diretamente a contabilidade, não achas? — disse-me, com um sorriso.

Fomos até ao pequeno café que havia nas redondezas, e, enquanto ele voltava a ligar o computador, saí para tentar pôr as ideias em ordem.

Que se estava a passar? Onde nos levava tudo aquilo? Porque tinham as chaves o mesmo trevo que eu trazia no pulso? E se ele estivesse apenas a brincar connosco?

Sentei-me num banco de madeira e comecei a rever, mais uma vez, todos os padrões. O concurso podia ser um deles. Tínhamos dois concorrentes, Frank e Andrea, mas… e Margaret Fride? E se fosse o verdadeiro nome de uma das outras participantes? Nesse caso, o padrão seria reforçado.

O que não percebia era o que tinha tudo aquilo que ver com o meu desejo. Nada, não conseguia entender o sentido. E ainda havia a lista eXo. Tirei o anel do bolso e decidi pô-lo no dedo.

Levantei-me e passeei durante algum tempo pelo exterior, tentando encontrar uma solução para tudo aquilo.

Depois de quase uma hora sozinha, regressei ao café. Deparei com o meu irmão a sorrir.

— Calculo que tenhas encontrado qualquer coisa, certo?

— Sim, há uma transferência em seu nome.

— Deixa-me adivinhar — interrompi—, é o verdadeiro nome de outra das concorrentes.

— Não. Também tinha pensado nisso. Ter-nos-ia dado um padrão estável, mas não. Não tem que ver com nenhum dos concorrentes, mas com o concurso.

— Então, pode ser esse o padrão: o concurso.

— Sim, parece que sim.

— E o que podemos concluir das transferências? Algum dado interessante?

— Fez-se apenas uma em nome dela, mas muito, muito grande.

— Quanto?

— O suficiente para se ficar sem vontade de investigar.

— De investigar o quê?

— A morte de um marido.

— O quê? — perguntei, surpreendida.

— Ora bem, a Margaret era a mulher de um dos funcionários da empresa — disse, enquanto eu me aproximava do portátil. — O marido trabalhou durante dois anos, e morreu.

— Ah… E morreu de quê? — perguntei, instintivamente.

— Essa é a melhor parte. Diz apenas que sofreu um acidente na Islândia, mais nada.

— Na Islândia?

— Sim.

— E o que é que estava lá a fazer?

— Bem, na Islândia encontrava-se um dos centros de apoio de tudo o que era gravado para o concurso. Suponho que seria um dos responsáveis pela manutenção dos equipamentos.

— Então, o pagamento seria algum tipo de indemnização?

— Sim, é o que parece. Mas é uma indemnização muito alta, demasiado. Não é normal, nada normal.

— Talvez tenha morrido por causa da empresa e tenham querido ocultar o facto…

— Parece-me que é isso que temos de descobrir.

O meu irmão introduziu o nome da mulher no motor de busca, e apareceu-nos a sua última morada. Apesar de não ficar muito longe, preferimos dormir, nessa noite, num hotel da zona.

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