Terra

Eloy Moreno · Capítulo 164 de 205

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Terra

Capítulo 166

Um carro continua a avançar às escondidas pelas entranhas da Islândia, entre a neblina e a noite. Dentro dele, viajam um homem e uma mulher que nem sequer olham um para o outro. As suas mentes estão muito mais longe do que os seus corações. Dirigem-se ao pequeno aeroporto de Akureyri, do qual descolam apenas voos domésticos e onde os espera uma avioneta privada que não sabem se chegarão a apanhar.

Ele tem dinheiro, muito, o suficiente para subornar as pessoas que, em princípio, o ajudarão na fuga. O problema é que o seu inimigo tem ainda mais.

Depois de mais de uma hora a circular em silêncio, através de uma calma que parece ser a única companheira do estranho casal, veem, de repente, dois pequenos focos ao longe, pelo retrovisor. O homem ao volante fica nervoso; a mulher, mais ainda.

— Se não é normal alguém circular por esta estrada de dia, imagina de noite — comenta o homem. — Sabia que isto não ia correr bem.

A mulher vira a cabeça para trás, para confirmar que as duas estrelas que os perseguem são reais.

Os faróis aproximam-se cada vez mais. É nesse momento que se dão conta de que as luzes estão demasiado altas.

— É uma carrinha Bigfoot, e das mais potentes — comenta o homem calmamente —, daquelas que atravessam as terras altas sem parar, das que poderiam esmagar-nos num ápice.

A mulher volta a olhar para trás. Mexe-se no assento, nervosa, grita… entra em pânico.

— Quero sair! Quero sair! Pára! Pára! — grita.

O homem sabe que não servirá de nada, que a morte não distingue fora e dentro, calor e frio, culpado e inocente. E a morte está ali, a uns quantos metros.

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