Terra

Eloy Moreno · Capítulo 60 de 205

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Terra

Capítulo 59

A descolagem

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Dez, nove, oito…

E o mundo inteiro susteve a respiração.

Tinham-se realizado muitos testes, tinham-se enviado vários veículos espaciais com todo o material necessário e, naturalmente, depois de todas as garantias possíveis terem sido alcançadas, lançara-se com sucesso a expedição Centinel, com os três astronautas. Mesmo assim, apesar de tudo estar controlado, havia sempre algo que podia correr mal. Era a primeira vez que se enviava um transportador espacial com capacidade para tantas pessoas.

Esse receio, o de uma avaria inesperada, foi o motivo pelo qual não houve publicidade durante a descolagem. Nenhuma empresa queria ser lembrada do facto de ter patrocinado a morte dos oito escolhidos.

Sete, seis, cinco, quatro…

Silêncio mundial.

Três, dois, um…

Um barulho ensurdecedor.

E o veículo descolou.

E, com ele, os oito escolhidos, encarregados de transformar a Humanidade numa espécie interplanetária.

As câmaras situadas na Terra perseguiam o rasto do veículo espacial, que, de momento, mantinha o rumo sem dificuldade.

Passados alguns segundos, a tensão acumulada derivou numa alegria coletiva que percorreu todo o planeta: abraços, sorrisos, lágrimas, chamadas, mensagens que sobrecarregavam as redes sociais… A felicidade inundou tudo.

Quando as câmaras da base começaram a perder a imagem, ligaram-se aquelas que a própria nave transportava, situadas no interior da cabina e nos capacetes dos oito selecionados.

Câmaras que captaram os últimos segundos antes da descolagem e também os primeiros depois da mesma. Semblantes de preocupação e pânico, olhos fechados para não serem testemunhas do futuro imediato, maxilares cerrando-se até morder, punhos apertados… Gestos de medo que deram lugar ao alívio, à emoção e às lágrimas, quando os tripulantes da nave espacial se deram conta de que, depois do estrondo, continuavam vivos.

Já não havia volta atrás. Acabara-se o tempo dos arrependimentos. Afastavam-se de um lugar que os vira nascer, mas que não os veria morrer.

Restavam, agora, seis meses de viagem, seis meses de difícil convivência entre oito pessoas que, apesar de terem estado juntas durante algum tempo, não se conheciam, de todo.

Os organizadores, os sociólogos e os psicólogos tinham advertido que, passados o companheirismo e a alegria iniciais, surgiriam os pequenos conflitos, decerto não graves ao ponto de fazer abortar a missão, mas suficientemente consideráveis para determinar as relações posteriores entre os participantes.

Como é evidente, também seriam suficientemente intensos para captar o interesse do público.

O público, era isso que importava. A partir desse momento, a organização deveria fazer os impossíveis para que ocorressem coisas interessantes durante o trajeto, caso contrário, sabia que perderia muitos espectadores.

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