Terra

Eloy Moreno · Capítulo 142 de 205

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Terra

Capítulo 143

O avião posicionou-se lentamente na pista, os motores rugindo, e acelerou rumo ao futuro. De repente, uma imensa massa metálica encontrava-se no ar, em direção a uma ilha de gelo e de fogo.

Como podia eu saber, naquele momento, que cumprir o meu desejo significava ficar a viver ali?

 

Durante o voo, conversámos acerca dos padrões, procurámos relacionar todas as informações de que dispúnhamos. Depois de tentar várias teorias, o meu irmão fez-me uma pergunta que me apanhou de surpresa.

— Nel, achas que estamos preparados para isto?

— Preparados? Não estou a perceber… — menti. Sabia a que se referia. Pensara naquilo desde que soubera que íamos visitar o centro de apoio.

— Estavam lá as cópias de segurança de tudo o que se passou. De certeza que há imagens que nunca foram transmitidas, imagens que ficaram guardadas desde então. Estive a pensar que talvez fosse isso que o pai queria que encontrasses.

— É possível… — respondi. Sim, como jornalista, mostrar aquelas imagens ao mundo seria um grande exclusivo.

— Nel, seria um impulso considerável na tua carreira.

— Pensei nisso. O grande exclusivo, toda a gente a falar da Nel Miller, a grande jornalista que descobriu o que realmente se passou ali, tudo o que não foi transmitido, as imagens cortadas, a dor em estado puro, certo? Veríamos o ser humano a tentar sobreviver.

— Sim… — disse ele. — E achas que valia a pena mostrá-lo?

— Não sei. Afinal, seria a verdade.

O meu irmão começou a falar, mas sem dirigir o seu olhar para mim.

— Nel, às vezes, penso em tudo o que me incomodava no pai: a sua falta de respeito pelos seres humanos e pela sua intimidade, a forma como brincava com os sentimentos dos outros para fazer dinheiro… e compreendo, compreendo perfeitamente que o odiasses por isso.

Deixou passar uns segundos e continuou a falar.

— Ele organizava aqueles concursos, brincando com as pessoas, mostrando imagens que não deviam aparecer… e fazia tudo isso para ganhar dinheiro. E os jornalistas, de alguma forma, fazem o mesmo, conseguem mostrar qualquer imagem, por mais dura que seja, por mais violenta que seja, e também por dinheiro.

Ficou em silêncio.

— Sim, embora haja uma pequena diferença — respondi. — Nós ganhamos a vida a mostrar a verdade, ele fazia-o a mostrar a mentira.

Silêncio.

— Não sei. Não ligues, mas primeiro pensei que, se o teu último desejo fosse transformares-te na melhor jornalista do mundo, isto pode torná-lo realidade.

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