Terra

Eloy Moreno · Capítulo 58 de 205

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Terra

Capítulo 57

E assim acabava a carta, que me trouxe mais dúvidas do que respostas. Deixei-a em cima da mesa, para que o meu irmão a pudesse ler, e sentei-me no sofá, no mesmo em que, tantos anos antes, senti medo.

Ali, voltei a recordar aquele momento em frente à lareira. Voltei a recordar as suas palavras: «Serão vocês a escolher o prémio… mas não será um prémio imediato, será um prémio para o resto das vossas vidas.»

Ainda nem fizéramos dez e doze anos, éramos duas crianças que tinham de responder a uma pergunta para a qual ninguém as preparara. Demorámos a reagir. Olhámo-nos, sem saber que dizer. Durante alguns minutos, permanecemos em silêncio, até que o meu irmão se levantou, se aproximou dele e lhe anunciou o seu desejo. Um desejo que ouvi.

Talvez pelo facto de esse silêncio ser demasiado intenso, talvez porque o nervosismo falou demasiado alto, talvez porque me concentrei a olhar para os seus lábios, mas ouvi-o: «Quero ser rico, ter dinheiro, muito dinheiro.»

Foi esse o seu desejo, e não há dúvida de que o cumpriu, apesar de não ter terminado o jogo. Desde que éramos pequenos, o nosso pai inculcou-nos sempre a necessidade de ter uma empresa, de comprar e vender produtos para gerar lucro, de comercializar qualquer coisa, e, nisso, o meu irmão foi sempre um aluno destacado.

Nesse aspeto, fui diferente: enquanto ele colecionava moedas, eu tentava colecionar momentos; enquanto ele comprava e vendia objetos, eu brincava a outras coisas…

Pus-me a observá-lo enquanto lia, enquanto os seus olhos se moviam de um lado ao outro do papel.

Quando terminou, aproximei-me da mesa, junto dele.

Ambos espreitámos para dentro da caixa: havia uma chave roxa e uma nota de um dólar com um nome escrito num dos cantos: Oliver Wokz.

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