Terra

Eloy Moreno · Capítulo 72 de 205

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Terra

Capítulo 72

A nave começou a perder velocidade, ao mesmo tempo que as audiências aumentavam. Não havia casa que, nesse momento, não estivesse em frente a um ecrã a observar o que já fazia parte da História.

Referira-se que um dos principais problemas da missão era aterrarem demasiado longe da Centinel, pelo que um erro de cálculo poderia fazer com que todo o projeto fracassasse.

Aos poucos, a nave foi-se posicionando na vertical, para poder descer até ao planeta vermelho.

Teve início a contagem decrescente. O público ascendia a milhões de pessoas.

Graças a sofisticados sistemas de travagem, a nave foi descendo lentamente até pousar em Marte, e, depois de um suspiro mundial, sobreveio um aplauso interplanetário.

As pessoas começaram a abraçar-se, a rir, a chorar… Nesse momento, parecia que tudo era possível: podíamos destruir um planeta, o nosso, mas também podíamos procurar outro. Acabávamos de dar um passo de gigante na cultura do descartável.

As câmaras internas mostravam os ocupantes a soltar, aos poucos, os cintos de segurança, para, ato contínuo, se fundirem num grande abraço. Por um instante, esqueceu-se qualquer fricção existente entre eles. Continuavam vivos, e era isso que importava. Aos gritos, os concorrentes acenaram para uma das câmaras principais, a que estava em contacto permanente com a Terra.

Depois de vários minutos de desfasamento temporal, um simples «Olá!», ao alcançar a Terra, desencadeou uma grande alegria.

O tempo que uma mensagem vinda de Marte demorava a chegar à Terra, ou vice-versa, dependia de vários fatores, como a distância existente em cada momento entre os dois planetas, de o Sol se encontrar entre eles ou da posição dos seus vários satélites, mas, em média, era de cerca de seis a sete minutos de ida, e o mesmo para a volta.

 

— Olá, daqui Terra! — gritou o apresentador. — Não imaginam o que sentimos neste momento, como estamos orgulhosos de todos vós.

— Correu tudo bem. Finalmente, chegaram. Estão longe em termos de distância, mas muito perto nos nossos corações — acrescentou a apresentadora. — Deram-nos a informação de que aterraram a alguns metros do local previsto, mas de que o erro foi mínimo. O Rover saiu da Centinel para vos dar as boas-vindas.

 

Quando mais imagens chegaram, viu-se o Rover parar em frente à nave, de lá saindo dois astronautas que abriram a porta e acederam ao interior para abraçar os novos habitantes de Marte.

Depois dos cumprimentos habituais, das perguntas, das gargalhadas e dos comentários, chegou a hora de vestir os fatos para sair para o exterior.

— Estão preparados? — perguntou-lhes a única mulher astronauta.

— Sim — gritaram em uníssono.

A primeira a sair foi Miss, e a câmara focou-lhe os pés.

No instante exato em que Miss pisava Marte, o modelo novo de ténis que usava foi posto à venda a nível mundial. Em alguns minutos, a Internet foi abaixo com as encomendas. Nesse mesmo dia, de noite, soube-se que tinham sido os ténis mais vendidos da História, num só dia. O investimento da empresa valera a pena.

O segundo foi o Mãozinhas. Tal como estava combinado, vestia um fato cor de laranja, diferente dos restantes, com o logótipo de uma das empresas mais importantes do mundo gravado no peito.

Em terceiro lugar, apareceu Frank. Tirou um biberão e fingiu beber dele através do capacete. Um biberão criado para esse momento, com um design inovador, de um material completamente novo. Foi um sucesso de vendas.

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