Terra

Eloy Moreno · Capítulo 51 de 205

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Terra

Capítulo 50

Concorrente Número 7

 

— Depois deste grande e merecido aplauso, começamos a aproximar-nos do fim. Já só nos restam os dois últimos concorrentes selecionados para seguirem até Marte.

O ecrã mostra um plano geral dos restantes vinte e quatro concorrentes.

— Continuamos… — anunciou Alison.

Steven começou a abrir o envelope do próximo participante, o último homem.

Devagar, olhou para o conteúdo do mesmo e exibiu um pequeno sorriso.

— Muito bem, muito bem — comentou, enquanto o mostrava à colega. — Faz sentido, será útil para todos. Não posso dizer mais nada.

— Sim, claro que é útil, sobretudo se, no futuro, quisermos que as pessoas consigam alimentar-se em Marte.

Aas luzes voltaram a apagar-se, ouviu-se a música, e, no ecrã, apareceu uma nova fotografia.

 

Tim Robbien, «o Jardineiro»

Concorrente n.º 142 491

32 anos

Botânico

 

O Jardineiro, nome que lhe fora atribuído nas redes sociais, era um homem forte, alto e também muito atraente, que aparecia no ecrã com um fato-macaco patrocinado por uma das principais empresas de fertilizantes e pesticidas.

Era verdade, ele era importante. Era preciso comer. Se os vegetais não crescessem, os participantes teriam um grave problema, por isso, alguém como ele era essencial em Marte.

A sua história era dura, muito dura. Ele, sim, tinha verdadeiros motivos para abandonar a Terra, acima de tudo, porque já não lhe restava nenhum para ficar.

Na realidade, depois de se ter inscrito no concurso, as redes sociais encarregaram-se de revelar toda a sua intimidade: a história veio à tona em poucos dias. Uma história que, longe de o prejudicar, o ajudou a chegar ao fim do concurso. Ocorrera havia mais de oito anos, mas ele nunca recuperara dos acontecimentos. Dissera mil vezes a si mesmo que não fora culpa sua, que não era um assassino… No entanto, no fundo da sua consciência, nesse lugar onde não se pode alterar a verdade, sabia que sim, que fora ele o responsável por destruir a vida das pessoas que mais amava. Desde o ocorrido, dedicara-se completamente à botânica, à jardinagem, a tudo o que tivesse que ver com a terra, para ver se, assim, criando vida dia após dia, poderia compensar todas as mortes.

Foi projetado um vídeo com a sua rotina diária: ia ao ginásio, cuidava das plantas num laboratório de investigação famoso, deitava-se muito cedo para se levantar de madrugada, era vegetariano…

O seu vídeo terminava com a seguinte frase: «Quero ser o primeiro a fazer crescer uma planta em Marte.»

Os aplausos encheram todo o auditório. Quando, finalmente, se fez silêncio, os apresentadores continuaram.

— Muito bem. Já estamos a chegar ao fim. Só nos resta uma, e digo uma, porque nos falta uma mulher. Tenho de comunicar ao resto dos homens que lamento imenso, mas desta vez não foi possível. Mas fiquem descansados, pois haverá, decerto, mais oportunidades.

Começou a abrir o último envelope.

Dentro de alguns segundos, a surpresa seria revelada: aquilo que começara como uma brincadeira ia tornar-se realidade.

Foi um erro desde o início, todos o sabiam: o público, o resto dos participantes, a empresa e, sobretudo, o homem mais rico do mundo sabiam que aquilo podia ser um desastre. Mesmo assim, foi escolhida.

Obviamente, acabou por correr mal. Muito mal.

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