Terra

Eloy Moreno · Capítulo 193 de 205

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Terra

Capítulo 196

No dia seguinte, o som do telemóvel despertou-me. Olhei para o número: desconhecido. Peguei nele, entusiasmada. Lembrei-me do início da minha carreira, quando ser jornalista não consistia em estar cem horas à frente de um ecrã para descobrir se a notícia que se estava a ver era real ou, simplesmente, fake.

— Sim? — disse, ao atender.

— São os senhores que procuram informação… — respondeu-me uma voz que falava quase em surdina.

— Somos, sim.

— Têm a outra metade dos quinhentos dólares?

 

Acordei o meu irmão, e, em apenas meia hora, já tínhamos tomado duche e bebido café.

Havíamos combinado com ele no parque de estacionamento de um supermercado situado junto à estação de serviço, à entrada da povoação.

Localizámos ali a carrinha vermelha de caixa aberta. Aproximámo-nos dela a pé. Tinha o vidro aberto.

— Trouxeram o dinheiro? — perguntou o homem de meia-idade, com cara de poucos amigos.

— Primeiro, a informação — disse.

— Não, primeiro, o dinheiro — insistiu, imperturbável.

— E se não for esse o lugar…? — interrompeu o meu irmão.

— Não vos resta outro remédio senão arriscar. Seja como for, a verdade é que não tenho muitos sítios para onde ir. Encontram-me com facilidade.

Olhei para o meu irmão e dei-lhe o dinheiro.

Entregou-nos um papel, ligou o motor do veículo e desapareceu.

A surpresa surgiu quando introduzimos a morada no GPS: a casa ficava a menos de dez minutos dali; em direção às piscinas termais, onde, em dado momento, o tinham visto.

Dirigimo-nos para norte, contornando a costa, por uma estrada estreita que deixava as montanhas à esquerda e, à direita, dezenas de quintas e casas dispersas que quase tocavam o mar. Podia ser qualquer uma delas.

Chegámos a uma estrada que conduzia a um aglomerado de casas, separadas umas das outras por alguns metros.

— Segundo o GPS, é aquela — disse ao meu irmão.

Desviámo-nos por um pequeno caminho delimitado por estacas de madeira e que, praticamente, acabava no mar. Quando nos aproximámos, vários cães começaram a ladrar.

Estacionámos lá fora. Não havia ninguém por ali, apenas os cães, que, apesar de continuarem a ladrar, não pareciam ter intenção de atacar.

Saímos do carro.

Introduzi a chave, com nervosismo… e a porta abriu-se.

Entrámos.

Escuridão.

Abrimos as janelas, para que a luz iluminasse uma casa que parecia vazia. Havia móveis, mas dava a impressão de que não vivia ali ninguém há muito tempo.

Percorremos todas as divisões do piso térreo: uma cozinha ampla, uma sala de jantar e dois quartos, nada de invulgar.

Foi quando subimos ao primeiro andar que deparámos com algo estranho naquele que parecia ser o quarto principal. Em cima do toucador, havia várias perucas colocadas em cabeças de manequins quase informes. O aspeto de tudo aquilo era macabro.

— São todas de mulher — disse o meu irmão.

— Pois, parece que sim. Estranho.

Saímos em direção ao último quarto, aquele que ficava ao fundo do corredor, e ali, em cima de uma pequena mesa, descobrimos a chave dourada: tínhamos chegado ao fim do jogo.

Peguei nela, olhámos um para o outro. Sorrimos.

 

Nesse momento, ouvimos um som no rés do chão, como se alguém tivesse aberto a porta.

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