Terra
Capítulo 158
Terra
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Silêncio.
E Terra nasceu.
E chorou.
E as lágrimas daquela menina foram também as de uma Humanidade que testemunhava o acontecimento mais importante da sua História.
Milhares de perguntas percorriam as redes sociais, sob a forma de sussurros, entre elas, a mais importante: «Nasceu bem?»
A Doutora levara a criança rapidamente, para verificar o seu estado de saúde. A espera tornou-se interminável.
Vários séculos de sofrimento mais tarde, a Doutora regressou com Terra embrulhada numa pequena toalha.
— Depois de um exame superficial, posso afirmar que acabas de ter uma menina saudável — disse a Miss, enquanto lha entregava. — Parabéns!
Miss apertou Terra entre os braços. E chorou.
E Frank chorou. E o Mãozinhas chorou. E o Jardineiro chorou. E até John chorou.
E decerto que, se Veruca ali estivesse, também teria chorado e transferido mil fotografias para as redes sociais e saltado de alegria…
Em contrapartida, Andrea, quando viu que tudo correra bem, aproximou-se de Miss e de Terra, olhou-as, pôs uma mão no braço da mãe e, com um «parabéns», foi para o seu quarto.
Uma emoção contida explodiu por todo o planeta.
O ser humano conseguira, com todas as circunstâncias contra si, gerar uma menina completamente saudável. Por isso, quando as piores expectativas deram lugar ao improvável, a Humanidade saiu para a rua, para festejar o facto de o corpo pequenino de uma menina ter contrariado todas as estatísticas. Paris, Madrid, Roma, Nova Iorque, Tóquio, Londres, qualquer cidade, grande ou pequena, transformou-se numa festa.
Aquela criança foi o milagre de que a colónia precisava para voltar a ter esperança, para se convencer de que a sua presença ali tinha um sentido, um futuro, pelo menos.
A raça humana acabava de provar que não só era capaz de sobreviver noutro planeta, mas que, além disso, também podia reproduzir-se.
Aquele bebé conseguiu, ainda que temporariamente, algo que nunca se alcançara até esse momento: criou uma vaga de consciência ecológica que arrastou milhões de pessoas.
Durante os meses que se seguiram, centenas de campanhas de consciencialização ambiental surgiram, vários governos comprometeram-se a implementar programas para reduzir o aquecimento global, as principais organizações não governamentais pressionaram os políticos de forma mais intensa, voltou a definir-se uma data para se assinar um pacto mundial contra as alterações climáticas…
Contudo, como era de esperar, também se gerou o movimento contrário: muitos governos — e milhões de cidadãos — decidiram que não era necessário fazer nada para proteger o planeta, pois havia, agora, um substituto.
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