Terra

Eloy Moreno · Capítulo 125 de 205

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Terra

Capítulo 125

Mas, se havia algo que realmente abatia Veruca, não era estar ali sozinha, sem nada que fazer. Na verdade, em casa, muitas vezes, também não fazia nada; se havia alguma coisa que a deixava em baixo, eram as opiniões negativas nas redes sociais. Desde a infância, fora uma criança pública. Com apenas cinco anos, teve o seu primeiro canal, aos nove, conseguiu o primeiro milhão de seguidores, aos vinte, tinha vários milhões. A sua felicidade e a sua tristeza dependiam da quantidade de gostos de uma fotografia. Vários comentários negativos podiam dar-lhe cabo do dia.

Apesar de lhe continuarem a chegar mensagens de apoio dos seus fãs mais incondicionais, a verdade é que a grande maioria era de ódio. Um dos hashtags que mais utilizavam era #Verucanaovoltes.

E Veruca, em vez de se afastar daquele ninho de víboras, fazia precisamente o contrário. Passava horas, dias, deitada na cama, a ler cada uma dessas mensagens. Por fim, aquele vírus foi-a envenenando de tal forma, que chegou a pensar que a realidade eram as redes sociais e não aquilo que tinha à sua volta.

De vez em quando, a Doutora tentava fazer-lhe algum tipo de terapia, pelo menos, manter uma conversa. Começava sempre com a mesma pergunta, e quase sempre a resposta era também a mesma.

— Como estás hoje?

— Não consigo estar aqui, não quero estar aqui.

— Veruca, foi o que escolheste — respondia-lhe, num tom calmo. — E, desta vez, a decisão não se resumia a escolher uma camisola cor-de-rosa ou uma amarela, era uma decisão importante.

— Não consigo estar aqui para sempre — dizia Veruca. — Isto é uma prisão.

— Sim, é verdade, mas uma prisão que tu escolheste. Mesmo assim, tenho a certeza de que, desde que a tecnologia o permita, terás oportunidade de voltar.

— Isso pode demorar muito…

— Não tanto quanto isso. Em menos de dois anos, outra nave espacial chegará a Marte. Talvez nessa altura…

— Dois anos… — lamentava-se Veruca.

— Entretanto, terás de te adaptar. Não é fácil para nenhum de nós. Olha a Miss, vê aquilo por que passou. Temos de tentar criar uma sociedade, dia após dia…

— Mas eu não quero estar aqui.

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