Terra

Eloy Moreno · Capítulo 158 de 205

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Terra

Capítulo 160

— Sabes o que significa? — perguntou-nos.

— Sim, estivemos a ver — respondi. — Segundo a Internet, esse símbolo refere-se a qualquer coisa como abrir uma fechadura sem chave e chama-se… Espera, tinha isto apontado no telemóvel…

— Lásabrjótur — disse ele.

— Sim, é isso. Como sabes?

— Sei, porque ando há anos a questionar-me. Talvez a resposta esteja aqui, talvez este porta-chaves também seja uma chave.

— Não estou a perceber — reconheci.

— Lembras-te — disse, dirigindo-se ao meu irmão — do centro de dados que montámos aqui, na Islândia, há uns anos, quando nos conhecemos?

— Sim, claro. Falei nisso à minha irmã. Foi um dos projetos mais modernos do mundo.

Era verdade. Durante a viagem, o meu irmão falara-me daquele lugar. Um pequeno centro de dados onde toda a informação do programa era guardada, por temas legais.

— Isso mesmo. A minha empresa encarregava-se da manutenção da parte informática. Os servidores, os discos, os sistemas de cópia… era tudo de grande qualidade, mas, mesmo assim, exigia vigilância permanente.

»Eu, por contrato, tinha de ir duas vezes por semana supervisionar, apenas, para que tudo funcionasse devidamente. Na maior parte dos casos, a minha visita era mais social do que outra coisa. Bem, ia mesmo por isso. Lembras-te de haver um hotel de luxo em Húsafell, onde começava a única estrada que levava ao centro de dados?

— Húsafell? Não me lembrava do nome, mas lembro-me do hotel. Era um dos mais modernos — respondeu o meu irmão.

— Sim, era mesmo. Se tínhamos de ficar vários dias a trabalhar no centro de dados, dormíamos nesse pequeno hotel. Ora, em algumas das vezes que ali fiquei, cruzei-me com celebridades, mas não das que aparecem nas redes sociais, verdadeiras celebridades: desportistas de primeira água, cantores, chefes de Governo, empresários multimilionários, em suma, gente muito importante.

— Bem, era um dos melhores hotéis da Islândia. Se tivessem vindo em turismo, era natural que ficassem ali alojados — sugeri.

— Claro, não teria nada de especial. Mas e se eu te dissesse que a maioria nunca ficava a lá a dormir? Tomava qualquer coisa na cafetaria que existia no piso térreo.

— Então? — perguntei.

— E agora vem o mais estranho e aquilo que me fez pensar no assunto. Parece que o hotel era apenas o ponto de encontro para se partir numa digressão pelo centro de dados. A empresa do vosso pai tinha, enfim, ainda tem, vários daqueles camiões gigantes que servem para atravessar as acidentadas terras altas da Islândia. Daí, levavam-nos para o centro de dados, que ficava perto do glaciar Langjökull. Era um passeio de quase uma hora, através de uma paisagem fria e gelada.

— E para que haveriam de os levar ao centro de dados?

— Isso foi o que, na altura, me perguntei. Era estranho. Até que, um dia, quase por acaso, descobri.

»As instalações eram pequenas, três andares com duas divisões por piso; os servidores ficavam na cave, praticamente debaixo do gelo. No rés do chão, havia uma receção e uma pequena cafetaria, no primeiro andar havia duas salas de reuniões e, no terceiro, mais duas salas: uma em que se encontrava todo o sistema de controlo de domótica e outra que estava sempre fechada. Esta última tinha esse mesmo símbolo na porta.

»Mas, bem, como estava a dizer, um dia, estava eu na sala de domótica a tentar arranjar qualquer coisa no sistema elétrico, acho. Tinha deixado a porta entreaberta e ouvi várias pessoas aproximarem-se, e um dos desportistas mais conhecidos do mundo entrou naquela sala com o vosso pai. O mais estranho de tudo foi a maneira como abriram a porta.

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