Terra

Eloy Moreno · Capítulo 196 de 205

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Terra

Capítulo 199

— Com um louco? — protestou o meu irmão. — Teremos de voltar a falar com um louco?

— Claro —respondi-lhe, e sorri. — É junto das crianças e dos loucos que mais informação se obtém. Tanto uns como outros costumam dizer a verdade.

— A sua verdade, claro — respondeu-me.

— Sim, a sua verdade, mas, por vezes, essa é ainda mais real do que a mentira de tudo o resto. Um homem com todo o tempo do mundo viu, de certeza, muitas coisas.

»Durante a conversa, disse que não queria que o prendessem outra vez… Tenho muitos contactos na polícia, não na deste país, claro, mas também há comunicação entre as várias polícias nacionais. E, se for verdade que esteve preso, posso averiguar o motivo. Pelo caminho, faço umas chamadas.

— Pelo caminho para onde?

— Não sei. Leva-me a almoçar a um sítio qualquer. Tenho a cabeça a rebentar: temos mil pistas, mas não consigo ligá-las. Nesta casa, aparentemente, não há nada. Voltamos cá mais tarde.

Entrámos no carro e regressámos à povoação de Sauðárkrókur, para procurar um restaurante.

Durante o almoço, fomos revendo tudo o que se passara, tentando perceber o que aquela chave poderia abrir. Tínhamos um homem que violara uma rapariga, mas que se supunha ser gay. Um homem que morrera de forma estranha e que se parecia muito com aquele violador. O pai de Veruca, um dos fundadores do programa, que, afinal, morrera num acidente estranho, com uma companheira de quem nunca mais se soubera o paradeiro… E, agora, este velho, que nos garantia que tinham matado o pai de Veruca.

Antes de acabarmos de almoçar, chegou-me uma mensagem ao telemóvel.

— Nem vais imaginar por que motivo o nosso novo amigo esteve preso! — anunciei ao meu irmão, enquanto acabava de ler a mensagem do meu contacto na polícia.

— Não faço a menor ideia — respondeu.

— Por invasão de propriedade.

— E ele a garantir que não entrara naquela casa.

— Mas há mais uma coisa: não o levaram para a cadeia… internaram-no logo num centro psiquiátrico. Esteve ali durante dois dias… praticamente isolado, sem qualquer hipótese de comunicação.

— O quê? Porquê?

— É o que temos de descobrir: o motivo.

— Então, podíamos ir ao hospital e perguntar.

— Nestes casos — comecei a explicar ao meu irmão—, é muito mais rápido falar diretamente com a família. Evitas muita burocracia, segredos profissionais e todas essas coisas. Além disso, os familiares costumam ser mais compreensivos, desde que cries com eles uma ligação sentimental. Esta tarde, iremos a sua casa — disse-lhe, sorrindo.

— Sinto que estamos cada vez mais perto — diz uma mulher, referindo-se à solução do jogo.

— Eu também — responde um homem, referindo-se à distância que o separa da irmã.

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