Terra
Capítulo 147
Como era inevitável, depois da alegria inicial, surgiram as perguntas, as que estão sempre presentes para nos transportarem para a realidade. Perguntas que, a partir desse dia, encheriam os programas de televisão, os fóruns e as redes sociais. E, entre essas perguntas, destacavam-se duas: Como fora possível? e Quem era o pai?
No que dizia respeito à primeira, houve várias respostas possíveis, mas alguns jornalistas encarregaram-se de convencer o público de que os sistemas tinham simplesmente falhado, porque tudo podia falhar.
Relativamente à segunda pergunta, o pai podia ser o Mãozinhas, o Jardineiro ou Marcus. Com esta última opção, surgiu também uma pergunta que alimentou debates acesos: Teria direito de ver o filho?
Fosse como fosse, em Marte, não se podiam fazer testes de paternidade, pelo restava apenas esperar para ver quem se parecia mais com o bebé quando este crescesse.
Mas aquilo que, na verdade, preocupava a população mundial era a questão da saúde desse bebé. Nasceria saudável?
Na Centinel, tinham algum equipamento, mas não muito. Numa época em que apenas dez por cento dos partos aconteciam de forma natural, onde a maior parte deles era programada, onde um jogo de futebol podia decidir a hora do nascimento, um bebé nascer de forma natural era quase primitivo.
Frank e a Doutora disseram que não havia problema, que, durante séculos, os seres humanos tinham nascido sem ajuda. Também era verdade que isso acontecera na Terra, não fora dela.
Mas ainda faltavam vários meses para o nascimento. De momento, a grande notícia era que, pela primeira vez na História, um ser humano nasceria fora da Terra.
Se aquele bebé vivesse, seria a maior proeza da Humanidade. Contudo, se morresse, a colónia, certamente, morreria com ele.
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