Terra
Capítulo 6
— Sofro de um cancro que me matou.
E o edifício encheu-se de silêncio.
Durante os minutos que se seguiram, a única coisa que se ouviu foi um murmúrio a percorrer a sala.
Na verdade, era algo que já se sabia, mas que ninguém se atrevera a confirmar oficialmente: o meu pai estava doente. A cada fotografia roubada pelas revistas durante os últimos meses, via-se um homem mais magro, mais fraco. Com efeito, nesse mesmo instante, qualquer pessoa podia ver, através da pele, que a vida se esvaía do seu corpo.
Um homem de um metro e noventa, olhos azuis, atraente… que, no esplendor da vida, chegara a ser uma das pessoas mais desejadas do planeta e, neste momento, com apenas sessenta e seis anos, era um esqueleto coberto por um fato preto. Um esqueleto que, sem que ninguém soubesse muito bem como, se mantinha ali, de pé, em frente ao público.
— Sim, na verdade, já me matou. Agora, a única coisa que faço é esperar pela morte. É óbvio que há coisas que o dinheiro ainda não pode comprar, caso contrário… — Respirou lentamente, de modo a arranjar forças para continuar. — Mas, enfim, chega a vez de todos, e posso dizer que vivi. Como ouvi certa vez, a morte é apenas o início da imortalidade.
Silêncio.
Olhou para o público com calma, aproximou-se do microfone e continuou.
— Mas não queria deixar a empresa sem fazer uma confissão, a confissão mais importante da minha carreira… Como se dizia no meu tempo: preparem as rotativas.
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