Terra

Eloy Moreno · Capítulo 34 de 205

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Terra

Capítulo 33

Efetivamente, a questão da natalidade fora uma das mais polémicas de todo o projeto. Houve acesos debates televisivos em que se chegava sempre a posições irreconciliáveis.

Ficou muito claro, desde o início, que o sexo e a procriação eram duas questões completamente diferentes. No que diz respeito à primeira, havia muitas piadas sobre o facto de Marte poder ser complicado para os homens, pois, sendo a gravidade inferior à da Terra, poderia diminuir a pressão arterial, o que, por sua vez, diminuiria o fluxo sanguíneo, fundamental à ereção.

Talvez por isso mesmo, porque Marte podia tornar o sexo mais complicado, contara-se com um aspeto adicional para a seleção dos candidatos, um requisito não reconhecido em termos oficiais, apenas no plano visual: os concorrentes, além de jovens, eram atraentes, muito atraentes. A organização sabia que o sexo significava audiências, que ver um homem e uma mulher sair do duche podia suscitar mais interesse nos telespectadores do que ver uma lentilha germinar em Marte.

No entanto, relativamente ao sexo, não houve qualquer tipo de protesto ou restrição moral. O grande problema surgiu com o tema da reprodução.

É verdade que, no futuro, a grande meta era o ser humano reproduzir-se fora da Terra, mas talvez esse futuro ainda estivesse demasiado longe, e o facto de se tentar procriar nesta primeira missão pudesse ser um suicídio.

Não só porque, face a uma complicação durante o parto, tanto o bebé como a mãe poderem morrer, mas porque, se as radiações solares em Marte já são perigosas para os adultos, muito mais seriam para as células reprodutoras e para os fetos. Havia uma grande probabilidade de o feto nascer com malformações ou de a mãe sofrer um aborto, e esse era um risco que ninguém queria assumir: do primeiro parto fora da Terra, não podia nascer um ser humano disforme ou morto.

Mas, claro, por outro lado, naturalmente, havia o espetáculo, as televisões, o público, a excitação de ver nascer o primeiro marciano… A opinião pública estava dividida.

Foram meses de debates intensos entre especialistas, filósofos, médicos, sociólogos… até que, por fim, se tomou uma decisão.

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