Terra

Eloy Moreno · Capítulo 191 de 205

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Capítulo 194

— Como vamos encontrar a casa? — perguntou-me o meu irmão. — Ele não tinha telemóvel, Internet, nem cartão bancário. Nada, era como se não existisse. Estive a ver nas redes sociais, e quase não há informações sobre a altura em que o pai da Veruca esteve a viver aqui, na Islândia. Calculo que já se devem ter encarregado de apagar tudo.

— Na verdade, há algumas informações — respondi, enquanto ele olhava para mim, surpreendido. — O problema talvez tenha sido procurares no sítio errado.

— Estes jornalistas… — disse, e sorriu. — Surpreende-me.

— Bem, quando soube da história da casa do pai da Veruca, escrevi a vários colegas. Acontece que um dos meus melhores contactos na Europa tem, por sua vez, um grande amigo em Reiquejavique, uma espécie de detetive privado, ou coisa que o valha.

»Fiz-lhe algumas perguntas sobre esta questão, disse-me o mesmo que acabas de me dizer, que não encontraria nada na Internet, mas que havia outras opções.

— Que opções? — perguntou, impaciente.

— O papel. Disse-me que, na Islândia, ainda se publicam pequenos jornais. Por vezes, não são mais do que folhetos onde dão notícias acerca de uma zona ou região. É habitual levarem-se exemplares dessas publicações para as hemerotecas locais.

— E encontrou alguma coisa? — quis saber, esperançado.

— Sim. Alguns textos são rumores, mas um jornalista sabe espremer um rumor até lhe retirar um pouco de verdade. Segundo um artigo que foi publicado num boletim de Akureyri sobre restaurantes da zona, os donos de uma churrasqueira disseram que o pai da Veruca tinha ido várias vezes comer ao seu estabelecimento. Passaram-me o nome do restaurante. Fica em Blönduós.

— Boa. É qualquer coisa — respondeu-me o meu irmão.

— Mas há mais — continuei. — Há umas pequenas piscinas naturais perdidas num lugar que se chama Grettislaug. Por acaso, numa reportagem sobre zonas a visitar na Islândia, fala-se deste local. Várias pessoas dão a sua opinião, e algumas garantem ter visto o pai da Veruca a tomar banho ali.

Vi o meu irmão pegar no telemóvel.

— Bem, Grettislaug e Blönduós não ficam muito longe, apenas a uma hora de distância.

— É verdade. Mas há mais, e, neste caso, até há uma fotografia, ainda que tirada de uma revista a preto e branco, pelo que está muito esbatida. É de um pub em que o pai da Veruca aparece com mais pessoas. Foi publicada num opúsculo local, em que se falava do aniversário do tal pub, como se tivessem dado uma festa, ou algo do género.

— Uma fotografia de grupo?

— Sim, é estranho que alguém que queira passar despercebido tenha tirado uma fotografia, mas talvez já estivesse com uns copos a mais e não se tivesse dado conta de estar a ser fotografado. Mas, mais importante do que a fotografia, é o local onde se encontra esse pub.

— Diz-me — pediu, impaciente.

— Em Sauðárkrókur, uma povoação que fica a menos de meia hora das piscinas naturais de que te falei.

— E também sabemos o local do acidente — acrescentou o meu irmão. — Segundo a informação do jornal, ficava por ali…

— Sim, acho que a zona está bastante delimitada. Talvez noutro país fosse complicado, mas, na Islândia, quase não há cidades, só pessoas… Além disso, estou habituada a encontrar agulhas em palheiros.

— Mas, mesmo assim, como identificar a casa exata?

— Haveremos de a encontrar, como se fazia antigamente, quando não havia tanta informação, tanto telemóvel, tantas redes… Não a procuramos. Faremos com que a informação venha até nós — disse, exibindo um sorriso.

Continuámos a falar de mil coisas: da nossa infância, da casa que um dia construiu na árvore, dos banhos no rio, do tesouro escondido, da nossa mãe…

Depois do almoço, voltámos a falar dos padrões, do vídeo que tínhamos visto naquele museu e das pistas novas para encontrar a casa.

Estávamos tão entusiasmados, que, mal acabámos de beber o café, decidimos ir até à zona onde talvez pudéssemos encontrar a casa.

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