Terra

Eloy Moreno · Capítulo 19 de 205

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Terra

Capítulo 18

E um monte de ossos desabou num instante.

O pessoal da segurança subiu imediatamente ao palco para o ajudar.

As sirenes começaram a tocar, e a sala mergulhou no caos. As pessoas que se encontravam nas primeiras filas tinham visto o que se passara, mas o público situado em posições mais afastadas pensou que fosse um atentado, que havia um louco aos tiros no edifício.

De imediato, centenas de pessoas amontoaram-se nas portas de saída, o que originou uma avalancha de corpos que iam semeando a morte enquanto tentavam salvar a vida.

Por me encontrar na zona VIP, fisicamente separada do resto da sala, pude sair sem dificuldade por um corredor independente; com efeito, elementos da equipa de segurança acompanharam-me a uma área onde não correria riscos.

Mas o resultado final do medo foi desastroso; mais de cem feridos e doze pessoas mortas, oito por asfixia ou esmagamento, três por ataque cardíaco e uma por suicídio.

Nessa noite, quando cheguei a casa, desatei a chorar como há muito não fazia. Pela primeira vez na minha vida, percebi que, para o meu pai, eu fora o pior efeito secundário.

Por um lado, acabava de perder alguém com quem já não tinha qualquer relação, mas, por outro… afinal, tratava-se do meu pai.

Tive a mesma sensação de quando, anos antes, a mamã morrera; apercebi-me de que a morte não leva apenas a pessoa; com ela, desaparece também a possibilidade de novas memórias.

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