Terra

Eloy Moreno · Capítulo 192 de 205

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Terra

Capítulo 195

Blönduós ficava a cerca de duas horas de Húsafell. Era uma pequena povoação com menos de novecentos habitantes. Encontrámos, pela primeira vez, o restaurante em que supúnhamos ter sido visto a almoçar, mas acabavam de fechar, já era tarde. Decidimos continuar em direção a Sauðárkrókur, a cerca de quarenta minutos de distância, mais ou menos. Quando chegámos, percebemos que era uma povoação um pouco maior do que a anterior. Estacionámos à porta do clube Grand-Inn Bar. A essa hora, ainda estava fechado, mas, mesmo ao lado, havia uma Sauðárkróksbakarí. Decidimos entrar e tomar qualquer coisa. Já estávamos há várias horas no carro.

O sítio era lindo. Pedimos dois caffe latte e dois rolos de canela. Sentámo-nos junto à janela. O estabelecimento estava vazio.

— A que horas abrem o pub? — perguntou-me o meu irmão.

— Segundo a Internet, às nove.

— Então, ainda temos umas horas livres. Vamos até às piscinas, para ver se conseguimos descobrir qualquer coisa? — perguntou.

— Não me parece que, num lugar como aquele, haja grande coisa para descobrir. Pelo que vi na Internet, só existe um pequeno café, mais nada. Na verdade, acho que as nossas melhores hipóteses se encontram neste pub.

— Sendo assim, o que fazemos? — perguntou.

— Podemos ir dar uma volta pela povoação e jantar no restaurante aqui em frente, por exemplo — disse eu, dando-lhe a mão.

Olhou-me, surpreendido.

— Obrigada… — sussurrei.

Ficou desconcertado, mas não me disse nada. Acho que percebeu tudo.

Demos uma volta pela povoação e jantámos cedo no restaurante que ficava em frente ao pub, o KK Restaurant.

 

Permanecemos ali até às nove, hora a que abriam o bar. Mesmo assim, não entrámos logo. Era melhor fazê-lo quando houvesse mais gente. O plano era tentar socializar com as pessoas. Deixar passar algumas horas, até que o álcool lhes reavivasse a memória, e, nesse momento, fazer as perguntas.

O pub era bastante pequeno, mas, ainda assim, havia umas dez pessoas lá dentro: ficaram todos a olhar para nós quando transpusemos a porta.

Pedimos duas cervejas e começámos a falar um com o outro. Passados poucos minutos, aproximou-se uma mulher que me reconhecera da televisão. A partir daí, tudo se tornou mais fácil.

Música, gargalhadas, álcool, conversas insignificantes, mais música, mais gargalhadas, mais álcool… Começámos a fazer perguntas.

Quase toda a gente o tinha visto em algum momento, mas ninguém sabia onde vivia ou, pelo menos, ninguém queria dizer.

Já estavam prestes a fechar, quando pus cinco notas de cem dólares em cima da mesma. E ali, à vista de todos, peguei nas cinco notas e rasguei-as ao meio, uma de cada vez.

Muitos dos presentes ficaram de boca aberta.

Dirigi as minhas palavras ao barman, embora, na realidade, falasse para todos os presentes.

— Se conhecer alguém que nos possa dizer onde vivia o pai da Veruca, a casa exata, dê-lhe estes fragmentos de notas e diga-lhe que, quando no-lo disser, lhe entregaremos a outra metade. Deixo-lhe o meu número de telemóvel. — E escrevi-o numa das notas.

Decidimos ficar a dormir na povoação.

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