Terra

Eloy Moreno · Capítulo 161 de 205

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Terra

Capítulo 163

Depois do nascimento de Terra, foram centenas as empresas que quiseram usar o seu rosto para promover todo o tipo de produtos: coleções de roupa para criança, cereais, bolachas, chocolates, brinquedos… tudo era patrocinável. O rosto daquela menina estava em todo o lado.

A estação, mantendo o objetivo de rentabilizar cada segundo da sua vida, inventava concursos, programas especiais e documentários em torno da pequena. Também realizava, periodicamente, entrevistas a todos os elementos da colónia, para lhes fazer perguntas acerca dela, para que dissessem o que representara para eles o nascimento de Terra.

De modo geral, as opiniões eram muito semelhantes: o acontecimento trouxera uma nova esperança a um grupo de pessoas que, depois que ocorrera no passado, tinham perdido a alegria. A Doutora estava encantada com aquela pequena vida, sentia-se, de alguma forma, responsável por tudo o que correra bem. O Jardineiro sentia-se feliz, mas não podia esconder que, de cada vez que a via, também pensava na mulher e na filha. O Mãozinhas talvez fosse um dos que menos atenção lhe reservava. Dizia que não gostava de bebés, mas reconhecia que ela era uma alegria para a colónia.

Curiosamente, e contra o que muitos poderiam imaginar, Andrea era uma das pessoas que mais carinho dispensava à menina, talvez porque a via como uma irmã mais nova de quem tinha de cuidar, ou porque se lembrava da sua infância, quando ninguém lhe dava atenção. Várias vezes ao dia, largava o computador e aproximava-se do berço improvisado para lhe fazer companhia durante algum tempo.

Mas, se havia alguém que nutria um sentimento estranho em relação à menina, era Frank. Não que a rejeitasse, não se tratava disso, mas também não se aproximava demasiado dela. Ninguém percebia muito bem o que se passava com ele. Por vezes, dava até a impressão de que tinha medo de lhe tocar.

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