Terra

Eloy Moreno · Capítulo 25 de 205

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Terra

Capítulo 24

A vários países de distância, num quarto de um pequeno hotel perdido entre as montanhas, um homem acaba de receber uma chamada da receção a comunicar-lhe que um mensageiro lhe deixou um embrulho.

Desliga o telefone, surpreendido e, principalmente, assustado.

Desce as escadas a pensar na estranheza da situação. Ninguém deveria conhecer o seu paradeiro; na verdade, às vezes, nem ele sabe onde estará no dia seguinte. Há muito tempo que optou por desaparecer do mundo, que abandonou a sua vida para se esquecer até de si próprio, para existir num lugar onde ninguém o reconheça.

— Deixaram algum bilhete, alguma mensagem? — pergunta na receção, enquanto observa um embrulho inerte, sem qualquer marca distintiva.

— Não, nada. Uma rapariga disse-me que era para si e deixou-o em cima do balcão. Respondi-lhe que não havia aqui ninguém com esse nome, tal como me indicou, mas ela não me ouviu. Não sabia que fazer, pelo que acabei por decidir informá-lo. Espero não o ter incomodado.

— Não, não, claro. Muito obrigado.

O homem sobe até ao quarto com o pequeno embrulho nas mãos. Fecha a porta lentamente, senta-se em cima da cama, em silêncio, e liga o pequeno candeeiro da mesa de cabeceira. Não há nome, nem morada. Está tentado a agitá-lo para ver se ouve alguma coisa lá dentro, mas pensa quão perigoso seria fazê-lo. Sabe que não tem muitos admiradores.

Por instantes, passa-lhe pela cabeça abrir a janela e atirar o embrulho, para o ver cair na neve que cobre todo local.

Volta a tocar nele, acaricia-o.

Finalmente, a curiosidade leva a melhor.

E abre-o.

E aquilo que encontra lá dentro faz-lhe pior do que uma bomba.

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